EDITORIAL…de uma vida!

Cova da Moura 2009

EDITORIAL

O actual momento do nosso país suscita as maiores interrogações. Os anos passados, foram de clarificação, ampliação de conhecimentos, sublimação se sensibilidades.

Aos 16 anos, quando iniciei a minha actividade laboral e passei a estudar de noite, não imaginava quanto iria “enriquecer” nos anos seguintes.

Fiquei fascinado com tanta gente, com gente que tanto me ensinou e a quem tanto agradeço. Jovem de 21 anos, parti para Bissau, depois para Tete de onde regressei em 16 de março de 1974, dia do Golpe falhado nas Caldas.

Procurei evitar esta viagem, mas, meu querido Pai não aceitou e disse-me que o país se serve, mesmo em condições adversas.

Meu Pai conhecia-me e tinha já passado pelo calafrio de ver uma mota com a matrícula tapada de lama, entrar num café a distribuir panfletos. Ficou gelado, recebeu o papel e percebeu tudo…

Em África, verdadeiramente enriqueci, em combate, com Amigos verdadeiros que amo.

Amo tanto África que já percorri de novo por mais de seis vezes os países onde estive.

Fui Amigo de Nino Vieira, General, o General mais “branco” que conheci e, um grande Amigo de Portugal. Recordo as lágrimas e a continência a Spínola no Hospital Militar da Estrela.

Lutei pela liberdade, sempre, estive nas grandes lutas, da Fonte Luminosa, da “Batalha” pelo jornal República que amordaçaria com a sua morte a liberdade de expressão. Estive em diferentes lutas como tantos portugueses. Normal.

Olho hoje para a Assembleia da República e fico triste.

Portugal transformou este recinto tão nobre em zona de “estágio” para jovens que deveriam estar a estudar e a trabalhar, a adquirir experiência, para um dia, talvez, poderem ser Deputados verdadeiros.

Hoje não o são e estão a cavar a sepultura de Democracia. Lamentável a falta de critério dos Partidos que colocam nas listas tudo o que aparece…pudera, são tantos os lugares disponíveis que não pode haver critério na escolha…o que “vem à rede é deputado da nação“.

Este critério ou ausência dele, vale para tudo, vale para o governo e chega ao Presidente da República, abafado por escândalos que procura evitar, silencioso, tolhido, deixando o país à mercê de arrivistas que nos levarão a uma tragédia mais do que anunciada. Trágico.

Portugal vai passar por dezenas de anos de miséria, como que apresentando a factura a um povo diminuido, incapaz de pensar e escolher com cuidado quem nos poderia governar.

Algumas situações são de esperança: Conseguirá a Madeira quebrar o “enguiço” Alberto João Jardim e eleger Miguel Albuquerque? Queira Deus que sim, mas não é seguro. Provávelmente este povo onde me insiro não merece mais.

Será?

Director

Paulino Fernandes

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Castelo Branco, Comunidades, Destaques, Editorial, Forças Armadas, História, Oleiros, Política com as tags . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *