A Europa e o Titanic, por Joaquim Vitorino

A Europa e o Titanic

O impressionante humanismo e solidariedade, demonstrados pelos passageiros e tripulação do titanic, durante o seu afundamento na noite de 14 para 15 de abril de 1912, foi de um simbolismo que, nos marcou até aos dias de hoje, passados 100 anos; mas é conveniente não esquecermos, aquele que foi, o mais sublime gesto jamais registado, na História recente; os botes salva-vidas eram insuficientes; apenas 1178 se poderiam salvar; o Carpathia vinha a caminho, mas o Titanic estava a adornar rapidamente, e o seu fim estava próximo. A decisão do Capitão Edward Smith, e dos seus imediatos, embora rapidamente acatada, foi um pouco tardia; 45 minutos depois de, colidir com o iceberg, 24.000 toneladas de água, metade da sua tonelagem, já tinha entrado no navio. Prioridade absoluta, para as crianças e mulheres; os mais fortes teriam que sacrificar as suas vidas,em benefício de quem, não podia lutar por elas. Havia uma regra internacional neste sentido; mas nunca, tinha sido posta à prova. Quando o Carpathia, chegou ao local da tragédia, 4 horas depois do SOS, emitido pelo Titanic; Arthur Rostron o seu experiente capitão, pouco mais pode fazer, que recolher 14 dos 20 botes; 700 sobreviventes, 1500 foram as vítimas, nesta terrível tragédia. Nenhuma das várias armas, que existiam a bordo, foram utilizadas em disputa, de um lugar nos salva-vidas; as crianças e mulheres teriam direito à vida. O Titanic deixou-nos duas lições a ter em conta, a vulnerabilidade dos mais fortes; ele era o maior,mais robusto, sofisticado e seguro navio da sua época, mas também se afundou.A sublime generosidade, elevada ao extremo, daqueles que cederam as suas vidas, em benefício dos mais fracos, é uma lição para todos nós, 100 anos depois, do trágico acontecimento; em contraste com este exemplo, está a atitude de alguns países da União Europeia que, para além de todos os meios, e mecanismos ao dispôr, teimam em deixar o barco à deriva; alguns responsáveis, que podem resolver a crise na Europa, já nem nos merecem o benefício da dúvida; as sucessivas iniciativas, que deveriam conduzir, a soluções credíveis, não passam de posições concertadas, com o interesse dos credores. A Grécia; chegou ao ponto de não retorno; Portugal está em contagem decrescente; a Espanha vai resistindo, ao pedido de resgate, porque sabe que, para além de descredibilizar o país, a assistência financeira, nos moldes que foi prestada à Grécia, Portugal e Irlanda, não resolverá o problema; que passou a ser financeiro, económico e social; com uma taxa de desemprego, de que não há memória; isto já não é uma crise, é uma tragédia; que deve envergonhar,q uem tem poder e meios para a resolver. Pois é; há quem esqueça depressa, aquilo que não quer lembrar; tenho alguma Fé; mas pouca esperança, de que algo vá mudar; enquanto os mesmos atores, se mantiverem em palco. Há evidente falta de altruísmo; a quem teimosamente insiste, em liderar a Europa. O que aconteceu ao Titanic, todos nós sabemos e lamentamos; quanto à Europa, o iceberg está à vista.

Joaquim Vitorino – Vermelha – Cadaval

Às 1500 vítimas do Titanic, 100 anos depois, do fatídico naufrágio.

Joaquim Vitorino

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