” O afundar do rio da história…”, por Carlos Fernandes

A Nação

“O afundar do rio da história nas areias movediças do poder sem nunca o mar alcançar “

Numa praça sem povo, num país às avessas uma bandeira fora do lugar, seria sem dúvida um excelente guião de um filme surrealista, mas não !

Vem isto a propósito da cerimónia da comemoração do 5 de Outubro passado.

Ao que tudo indica, o presidente Cavaco Silva teve a brilhante ideia peregrina de excluir o povo desta cerimónia, como nunca visto as ruas de acesso à praça do município, símbolo de uma identidade histórica , encontravam-se cortadas com barreiras policiais, e um sem numero de seguranças, somente poderiam passar os convidados, uma vergonha !

Não obstante isso, a cerimónia iria realizar-se no Pátio da Galé,  um recinto fechado, e onde só os convidados poderiam assistir, tudo em nome da segurança e do medo que o medo acabe, ainda assim não correu lá muito bem, pois há sempre alguém que resiste alguém que diz não, uma vez mais se confirmou a regra .

Por sua vez o primeiro ministro estava ausente ao que se diz , em trabalho por países do leste europeu, nunca na história de Portugal, uma maioria ,um governo e um presidente , desprezaram  odiaram tanto um Povo!!!

Pergunto-me que futuro terá um governo com tanto descrédito e arrogância?

Sendo uma questão complexa, certamente terá uma resposta.

Todos sabemos que o governo está moribundo em fase terminal, ninguém o leva a sério, para quê prolongar esta agonia? Nem os empresários nem os trabalhadores. Nem as gentes do Povo desde intelectuais, professores ou cientistas, e principalmente os mais desfavorecidos acreditam ou estão dispostos a mais experimentalismos que nos levam para o abismo.

O que sabemos, o que nos oferecem é impostos cada vez mais a crescer, sempre a crescer, tudo em nome de um défice que já ninguém entende, e nós somos números, e as nossas famílias , a nossa história são para abater?

Convenhamos que assim não pode continuar, que são tempos adversos todos temos essa consciência, que este desgoverno esta brincadeira não pode continuar já todos sabemos, que eleições neste momento com uma oposição medíocre e inexistente, não será de todo conveniente, mas há alternativa temos o exemplo da Itália , onde presidente da República, Giorgio Napolitano, conseguiu, com a habilidade política e inteligência ver-se livre de Berlusconi e conseguir nomear um primeiro ministro, com o acordo  do parlamento, mas sem eleições, e com um trabalho notável até à data . Este é um caminho, não temos mais tempo a perder, ilustre Presidente faça prevalecer o sentido de estado e acorde, caso contrário a história o julgará por omissão e cumplicidade deste afundar do rio da história.

Hoje mais que nunca o nosso Povo , que já se habituou a sair da zona de conforto e ir para rua, mostrar que o Povo é quem mais ordena, é urgente que continue os seus protestos pacíficos e não deixe de lutar por mais e melhor democracia, mais dignidade no trabalho, maior cidadania interventiva , denunciar os corruptos, de forma que a impunidade se alastre e continue, exigir uma justiça rápida e eficaz, mas sobretudo reclamar contra a austeridade sem sentido, lutar contra o desemprego, esse flagelo do nosso tempo, todos juntos combater a pobreza e a precariedade.

Portugal ao longo da sua história sempre teve uma intervenção popular. Foi com o Povo que Nuno Alvares Pereira venceu os castelhanos em Aljubarrota .Foi o Povo que transformou a Monarquia absoluta em Monarquia Liberal, que construiu a Republica e que logo dos anos lutou contra a ditadura até conquistar a Liberdade, é esse Povo que hoje irá lutar para que se cumpra Portugal e estes aprendizes de política saiam de vez do horizonte. Basta, Basta!!

Temos um grande Povo , e todos juntos iremos construir um futuro para os nossos filhos que dignifique e glorifique a história de Portugal .

Bem hajam

Carlos Fernandes

 

 

 

Sobre Jornal de Oleiros

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