CARO PEDRO!!, por António Graça

António Graça

O FAROL por António Graça

O Farol não reconhece as regras do novo acordo ortográfico

CARO PEDRO!!

Caro Pedro, não sou adepto, e, muito menos utilizador, das chamadas redes sociais, porque sou cioso da minha privacidade e tenho o maior respeito pela dos outros.

Contudo, dada a esmagadora publicidade conferida pela comunicação social ao assunto, de um desabafo seu, colocado na sua página do “facebook”.

Como, segundo tudo indica, o Pedro pai de família e o Pedro primeiro-ministro , que falou aos portugueses na 6ª feira 7, são uma única pessoa, resolvi deixar aqui, nas páginas do Jornal de Oleiros, algumas notas sobre a sua comunicação do dia 7 e sobre a polémica que, a partir dela se gerou.

Caro Pedro, começando pela comunicação propriamente dita, dir-lhe-ei que foi de uma enorme infelicidade fazer aquela intervenção poucos minutos antes do jogo de futebol da selecção nacional, retirando-lhe grande parte do sentido de estado que lhe devia estar associado, ao coloca-la ao nível de uma banal transmissão televisiva.

Depois da sua intervenção, o Pedro foi, com a sua esposa, assistir a um espectáculo do Paulo de Carvalho, tendo-se, de acordo com a documentação fotográfica difundida pela comunicação social, divertido imenso. Esse ar de divertimento que exibiu, não caiu bem na opinião pública. Ninguém estava à espera que o Pedro, após a comunicação, se fosse sentar nas escadarias de S. Bento a chorar as suas inquietações ou que se fosse penitenciar no interior de uma das igrejas do Chiado, mas, caro Pedro, um governante, mesmo que não seja bom, está sempre sob o escrutínio da opinião pública, e mesmo que pretenda fazer passar a imagem de um cidadão comum deve ser ponderado nos seus actos.

A cereja no topo do bolo, colocou-a o Pedro, foi a sua mensagem no “facebook”.

Caro Pedro, já aqui escrevi que o “facebook” não é a forma mais correcta de alguém, com responsabilidades na condução do país se dirigir aos seus concidadãos.

As redes sociais são um excelente meio de comunicação para as camadas jovens trocarem experiências entre si, para os jogadores de futebol mostrarem as suas tristezas e as suas riquezas e para as galdérias que ocupam as capas da imprensa, dita cor-de-rosa, publicitarem as suas frequentes trocas de macho

Além disso, da maneira que as coisas estão, grande parte daqueles outros pais de filhos a quem o Pedro pretendia dirigir a sua mensagem, não devem ter meios para comprar um computador e pagar o acesso à internet.

Teria sido mais adequado e com maior sentido de responsabilidade se o Pedro tivesse, antes, durante, ou nofim da comunicação, arranjado espaço para manifestar os sentimentos que escreveu no facebook”.

Caro Pedro, Quanto ao conteúdo da sua comunicação e aos anexos à mesma murmurados pelo seu sonolento ministro das finanças deixam-me, como aliás a todos os portugueses, bastante perplexo.

Caro Pedro, você já é um rapaz crescidinho e pai de filhos, mas, parece-me que ainda acredita no Pai Natal.

Essa das idiotas alterações à TSU contribuírem para a criação de mais emprego, só mesmo para quem acredita no velhote das barbas e no seu trenó puxado a renas.

Caro Pedro, com as medidas anunciadas, você conseguiu o feito notável de reunir um vastíssimo consenso nacional, daqueles que, até agora, só eram possíveis em certas “democracias” como a do Fidel, a do querido líder, a do Hugo, a do falecido Saddam ou outras, que não citarei por andarem a comprar Portugal em fascículos, só que, para seu azar, o consenso é contra si.

Caro Pedro, com estas medidas você conseguiu ainda assumir o papel de um Robin dos Bosques invertido, ou seja, aquele que é odiado pelos pobres e, ainda, tolerado pelos ricos.

Caro Pedro, dirá você que a culpa é dos governos que o antecederam e, quanto a isso, estou plenamente de acordo. De facto, há 38 anos, 4 meses e alguns dias que o país anda a ser empobrecido e, cada um que contribui para isso diz, invariavelmente, que a culpa foi do que lá esteve antes.

Caro Pedro, para terminar, gostaria apenas de chamar a sua atenção para a manifestação do passado Sábado. Era bom que o Pedro e os seus pares, de todos os quadrantes, percebessem que a manifestação prenuncia que a impunidade dos políticos já teve melhores dias e que o seu final se aproxima com consequências imprevisíveis. Seria bom que entendesse ainda que, ao contrário do que vem afirmando o seu olheirento ministro das finanças, os portugueses não estão disponíveis para aceitar mais sacrifícios, e, muito menos, a falsa equidade na distribuição dos mesmos.

Obrigado

António

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