“Ode ao Burlesco”, por Carlos Fernandes

Desde que me conheço, sempre tive um carinho e admiração especial por personagens como o ” Arlequim a Columbina o Brighalla” todas elas fazendo parte de um tipo de apresentação teatral, “ o burlesco”, que no fundo consiste em uma paródia ou sátira, contudo alguns entendidos na matéria definem o teatro burlesco como descendente da Commedia Dell`Arte, farsa ou burla, para uma paródia, um regabofe.

Sendo a Commedia Del`Arte , uma das fontes principais de muitas das artes performativas modernas como, o Ballet as Marionetas, Stand-up-comedy, entre muitas outras , o que verdadeiramente desconhecia, era que a mui nobre arte da política, neste nossos tempos também era uma forte variável a ter em conta .

Nesta peça, como em todas as outras, começamos pelas personagens, em papel de destaque o Ani(m)al (maldita dislexia será que acertei) aquele que raramente se engana, com uma vida fácil e sérios problemas financeiros devido à sua parca reforma, que tudo acha inconstitucional, que  apregoa aos sete ventos, os seus ideais, e promulga e promulga, sempre a promulgar.

Depois aparece-nos o Cabeçudo, coitado , com uma vida cheia de apupos e ofensas, que nos fala de um Mundo em permanente mudança, são os mercados a política externa e tantas dificuldades, e ele cabeçudo com tiques PCP (maldita dislexia será que leva aquele P), continua a afirmar não queremos mais tempo nem mais dinheiro, custe o que custar, nós não somos piegas.

A seguir surge-nos o Doutor Ervas Daninhas (maldita dislexia, não será Relvas),uma vida norteada pela simplicidade da procura do conhecimento permanente, este sim um mártir não hà  dia, semana ou mês, que não seja actor principal, todavia ele sempre foi um mestre em privatizações, uns ingratos são os contestatários .

Como não poderia de deixar de ser temos, o Boy da Vespa, promovido a Ceo da BMW, que muito tem contribuído com as suas ideias e ajudas à natalidade, para o povoamento deste país, tem provas dadas, já neste ano com a contratação de uma cegonha para Arronches, com resultados à vista oito crias, um verdadeiro Boy (maldita dislexia, com tanta falta de cabelo será Boy)

Pra compor o ramalhete, aparece-nos o Gago, a voz do mar flat, sem ondas com muita calma, sempre convicto da sua sapiência, que a cada interpelação afirma ainda bem que fez essa pergunta, mas o orçamento , despesa, os números dizem-nos que mesmo sem nada estamos no bom caminho.( com o gago, parece que não tenho dislexia, interessante).

Depois temos um Utilizador de feiras, que por mérito próprio se transformou, em organizador de conferências, congressos e seminários, que devido ás suas novas competências, passou a figurante tal o seu silêncio, mas não se julgue que se finou, está sempre pronto pró que der e vier, não fosse malabarista dos oceanos, sempre com os seus indomáveis submarinos (maldita dislexia, não será rios).

Para finalizar temos o Bispo que contra tudo e contra todos, proclama aos sete ventos, que todos os outros são corruptos, é com este naipe de personagens de altíssimo nível, que se desenrola esta peça.

Como cenário um país, envolto em escândalos, onde o desemprego alastra, a precariedade é uma bandeira, a justiça a saúde, educação, o estado social devinham á espera da morte certa.

Quanto à plateia temos os mais idosos devotados à sua sorte sem eira nem beira, um autêntico estorvo, o melhor mesmo é que o paraíso os chame, em relação aos mais jovens continuam na  sua zona de conforto, mobilizados para pós -graduações de copofonia na faculdade do Bairro Alto e afins, bem não são todos, alguns hà mobilizados para bater panelas e dizer apupos contra touros e toureiros, lá pro lados do Campo Pequeno.

E o povo:

Continua a resistir

Sem ninguém que lhe valha

Geme e trabalha

Até cair

“Miguel Torga”

EM EXIBIÇÃO PERTO DE SI !

Bem hajam

Carlos Fernandes

Carlos Fernandes

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Castelo Branco, Destaques, Oleiros. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *