” O FAROL”, por António Graça

O Farol não reconhece as regras do novo acordo ortográfico

BASTA!

Que as chamadas medidas de austeridade impostas por forças externas ao nosso país, não conduziriam a desfechos favoráveis, para Portugal, qualquer pessoa minimamente consciente e a par dos mecanismos base da economia, teria facilidade em prever.

As medidas de austeridade, tal como vêm sendo aplicadas, são meros exercícios académicos, defendidos e aconselhados por alguns teóricos da economia, indivíduos, talvez muito inteligentes (?), mas cuja experiência e sensibilidade para os acontecimentos do mundo real são bastante limitados.

A título de exemplo, diremos que , até hoje, nenhum país onde este tipo de medidas foi aplicado, conseguiu resultados positivos para as suas economias. Para além disso, algumas medidas acabam por ter efeitos contrários aos pretendidos. Senão vejamos. Para além de serem suportadas por quem em nada contribuiu para as situações que pretendem corrigir. Têm, entre outros, os seguintes efeitos perversos:

1- Ao aumento da carga fiscal, raramente corresponde um aumento proporcional da receita fiscal,

2-O aumento dos impostos sobre o consumo, associado à quebra do rendimento disponível das famílias, provoca falências e o consequente aumento do desemprego, o qual vai aumentar a despesa do estado ao nível das prestações sociais,

3- O aumento da produtividade não se conseguirá nunca, facilitando os despedimentos, cuja consequência é apenas, e uma vez mais, o aumento do desemprego e o aumento dos encargos sociais do estado.

4- O aumento da produtividade obter-se-á sim, formando uma classe empresarial mais competente, capaz de planear e organizar adequadamente a actividade das empresas, sobretudo as pequenas e médias, orientando a produção para bens transacionáveis, de significativo valor acrescentado, direccionados para mercados de exportação.

Existem medidas que, paralelamente às imposições dos credores, podem ser implementadas, no sentido de não deixar asfixiar a economia.

Para fomentar o empreendedorismo e a criação de emprego, as medidas adoptadas pelos últimos governos têm sido votadas ao insucesso, aliás, o empreendedorismo, transformou-se em algo sobre o qual é chique falar ou organizar conferências e congressos, com resultados pouco mais que insignificantes para as necessidades do país.

Para dinamizar a economia e fomentar o empreendedorismo, o mais importante é que o estado e a sua teia burocrática, saiam da frente de quem quer trabalhar. Acabe-se de vez com a necessidade, de inúmeras licenças e pareceres de organismos que são verdadeiras barreiras criadas na Administração Pública, empregadoras de lacaios dos partidos, incentivadoras de casos de corrupção e compadrio, que em nada servem quem pretende desenvolver honestamente qualquer actividade económica.

Para além do que acima dissemos, é imprescindível eliminar também a promiscuidade entre a economia e os políticos, a qual se traduz no empobrecimento do país, pelo favorecimento de interesses cujos objectivos são, geralmente, lesivos do estado (PPP’s, Rendas excessivas, etc., etc.).

O Caso Relvas 

O caso Relvas não é um caso, é um não-assunto, tal como o definiu um não-primeiro ministro de um não-governo que parece apostado em transformar Portugal num não-país.

Bom, parece evidente que as “ratices”( designação que a minha avó dava às maldades mal disfarçadas) dizia eu, as ratices do Relvas, têm alimentado a sede de sensacionalismo e algum jornalismo de 3ª categoria produzido pela imprensa portuguesa.

Devo dizer-vos, com toda a sinceridade, que, no meu caso pessoal, é-me perfeitamente indiferente que o Relvas tenha obtido uma licenciatura, num ano, num mês ou até num dia, ou que essa licenciatura seja em Relações Internacionais, qualquer outro tipo de relações, em Física Quântica ou em engenharia Espacial. O que realmente me preocupa é que gente desta estirpe, com um percurso académico e profissional pouco mais que medíocre, ocupe cargos de importância na estrutura governativa e possa tomar decisões que influem na vida de milhões de concidadãos meus.

Pior, para além do Relvas há, concerteza, por aí muitos outros doutores da mula ruça a ocupar lugares importantes, exibindo como habilitações um qualquer canudo tipo loja dos 300, em conjunto com o cartão do partido.

O visado neste episódio, o Relvas, perdão xotôr, tal como todos os seus pares da política quando confrontados com situações mal explicadas, afirmou-se tranquilo com a sua consciência e que tudo foi feito no respeito da legalidade, algo em que acredito sinceramente, penso mesmo que quem sai bastante chamuscada deste episódio é a Universidade, o famigerado Processo de Bolonha e a laxista lei das equivalências.

Mas, como dizia o filósofo e político romano Cícero:

“ Nem tudo o que é lícito é honesto”

 Inconstitucionalidades

Qualquer pessoa de bom senso, e não movida pela sofreguidão de sacar dinheiro a qualquer preço, depressa percebeu que o confisco dos subsídios de férias e natal apenas aos funcionários do sector estado era um acto inconstitucional.

Após a divulgação do parecer do TC sobre o assunto, vimos um 1º ministro exas perado, ameaçando que iria encontrar alternativas para contornar a situação.

Dr. Passos Coelho, não precisa de estafar os neurónios para encontrar as tais alternativas. Basta, cumprindo a parte do memorando da troika, da qual o senhor tem andado esquecido, ir buscar o dinheiro a quem anda a explorar os portugueses; as Parcerias Público-Privadas, as rendas excessivas, os Institutos e Fundações que vivem pendurados no Orçamento de Estado, nos quais o senhor, decerto por uma questão de amizade, porque, como costuma dizer-se, os amigos são para as ocasiões, ainda não tocou, apesar de saber, melhor que qualquer um de nós, que, aí sim, o estado pode ir buscar (poupar) muitos milhões. Decerto não vai meter, uma vez mais a mão no bolso de quem trabalha, porque, se assim fôr, mais vale passar à fase de “assalto à mão armada”, a qual tem vantagens evidentes:

1º Contorna o parecer do TC, uma vez que quem assalta não discrimina entre funcionários do sector estado e privados,

2º É logo dinheiro em caixa , sem devoluções futuras , como o IRS

3º- Os seus amigos ricos( financeiros, construtoras, etc.) continuarão protegidos, uma vez que não andam expostos na via pública, e, de um modo geral, fazem-se acompanhar por seguranças.

Até breve

Eng. António Graça

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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2 Respostas a ” O FAROL”, por António Graça

  1. O Jornal de Oleiros orgulha-se da sua independência e a possibilidade de exibir Colaboradores (também Amigos) com a envergadura de António Graça, António Moreira, António Justo, Fernando Caldeira da Silva, Maria Alda barata Salgueiro, Ana Neves, Miguel Marques, Inês Martins, Manuela Marques, António mendes, António Romão de Matos, Fernando Dias, António Martins, Carlos Fernandes, Serafim Marques (perdão aos que omiti), possuir contribuições técnicas muito qualificadas como as do Geoparque, etc, etc. Ter uma relação previligiada com as Escolas da Zona do Pinhal como a ETPZP, ou ETPS, etc, Universidade de Aveiro, etc, etc. Sômos livres, pensamos e escrevemos, assumimos. Evidentemente, isso tem custos. Já viram ao longo de 3 anos alguma contribuição publicitária de um organismo do Estado? Não. Não viram nem vão ver, mas essa é também um marc da nossa independência e verticalidade. Não dependemos. Apenas existimos e incomodamos.
    Director

  2. Caros Leitores
    A todos considero Amigos, mesmo aos que me chamam “comunista” e “corja de comunistas”. Não o sômos convictamente, mas, se alguns o fossem, para o Director seria irrelevante.
    Infelizmente, os Comunistas pouco escrevem, ou pelo menos não escrevem para nós, coisa que lamentamos, pois, tudo o que escrevam de positivo para este país, será publicado.
    Estão a confundir o exerxício de uma Democracia livre e não dependente com ideias gastas e dependências que não desejamos.
    Não defender a actuação deste (des) governo, desta impreparação generalizada e assustadora, destes oportunistas incultos e ricos é algo que o POVO simples na rua todos os dias nos diz.
    Ser membro de um governo deveria obrigar préviamente a uma carreira empresarial, nas universidades, no saber real e, mais, não ir enriquecer para o governo e em pouco tempo. Ser membro de um governo de um país democrático, obriga a serviço público, não a ser funcionário público.
    Estamos envergonhados com algumas práticas e tememos o pior, pois sabemos que quem nos conduz não está “encartado”.
    Director

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