A justiça divina, permanecerá, por Carlos Fernandes

Não se começa uma reforma que implica populações – como é o projecto de encerramento de Tribunais Judiciais – sem se ouvirem os seus legítimos representantes: os Municípios..

Como tal não estamos perante uma reforma , mas sim mais um corte, imagem de marca deste executivo.

Adoptando critérios em absoluto discutíveis – se o movimento judicial é insuficiente, porque não circula o Juiz entre duas comarcas em vez de se obrigarem milhares de cidadãos a fazê-lo? –, o resultado de uma tal “reforma” só poderia ser a perda, para muitos, de um dos direitos fundamentais de cidadania que é o acesso à Justiça. Que, ali, especialmente naquelas terras já tão abandonadas, ficaria restringido aos mais ricos, designadamente aos possuidores de meios de deslocação…

A primeira grande responsabilidade da Justiça é, substantivamente, suster a prevaricação, e o encerramento de Tribunais só vem beneficiar os infractores já que distancia a justiça dos cidadãos.

A existência de Tribunais – um dos símbolos da Soberania e da Democracia –constitui um factor de coesão territorial e de desenvolvimento económico e social, contribuindo para a fixação de populações, e não é aceitável continuarmos a assistir ao deslocar constante de serviços essenciais para os cidadãos, assim se contribuindo, irreversivelmente, para uma crescente desertificação que os Municípios, mau grado os seus efectivos esforços, não conseguem, sozinhos, combater.

É neste sentido que Oleiros também irá perder mais um dos símbolos de soberania, e de democracia, cabe a todos mostrar descontentamento e promover acções que por si constituam uma mais valia para a permanência desta tão nobre instituição.Todavia a falácia evidencia-se, já que este executivo foi eleito democraticamente, e não faz mais daquilo que tinha avisado, esta história de cortes e não reformas,  nos tribunais, saúde, educação, não é mais do que o conteúdo neo-liberal do programa do PSD, e meus amigos Oleiros e as suas gentes muito  têm  contribuído aquando dos actos eleitorais para que esta realidade se torna-se efectiva, temos que ser honestos para estarmos de bem com a vida ,quem sabe se em novos actos eleitorais tenhamos aprendido com os nosso erros .

Sendo certo o encerramento do tribunal, pouco ou nada vejo por parte do município, uma tomada de posição que vá ao encontro dos reais interesses da região, pelo contrário em alguma imprensa acerca de alguns meses o que li foi o excelente desempenho, deste município, onde segundo palavras do seu timoneiro não há desemprego, mas sim uma excelente qualidade de vida e elevado rigor orçamental (estarei atento ao relatório de contas ) . Pois bem neste cenário maravilhoso, certamente não existem conflitos, tudo está na Paz do Senhor , a qualidade de vida traduz-se num enorme beneficio para a saúde, assim sendo entendo tanto silêncio, e o executivo tem razão temos que dar a quem precisa, Oleiros, é um caso de sucesso.

De uma coisa sabemos, a justiça divina permanecerá.

Só me apraz dizer ACORDAI

Bem hajam

Carlos Fernandes

Carlos Fernandes

Adenda: O país manifesta-se fortemente: Miranda do Douro, Boticas e Paredes de Coura.

Dezenas de Vilas e Cidades anunciaram já protestos idênticos.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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5 Respostas a A justiça divina, permanecerá, por Carlos Fernandes

  1. Caro Carlos Fernandes
    Li com atenção o Seu importante artigo.
    A matéria que aborda é relevante. O Jornal de Oleiros procurou falar com diferentes personalidades de Oleiros, mesmo figuras centrais da política e recolheu unânimente uma posição de repúdio que curiosamente, ao invés de outras cidades e vilas do país onde a população se manifesta abertamente, em Oleiros, parece que a população não atribui importância a este acontecimento, permitindo assim que, em continuidade, outras coisas semelhantes venham a acontecer.
    Provávelmente não é importante em Oleiros…
    PF

  2. Que fique registado agora percebo a população de Oleiros senão vejamos:O Governo quer aos poucos e poucos ir acabando com os tribunais, porque, na opinião do executivo, já não se justificam: «As pessoas são hoje julgadas pelas aparências, portanto é injusto estar a julgá-las duas vezes, primeiro pelas aparências e depois por um tribunal», afirmou o primeiro-ministro, esta tarde, segundos antes de passar com um bulldozer por cima do tribunal de Alfândega da Fé.

    Segundo o Governo, o julgamento pelas aparências é muito mais barato uma vez que não é preciso um juiz nem uma sala de audiências. «Os julgamentos pelas aparências podem ser feitos a qualquer momento, por qualquer pessoa e aplicada logo ali a sentença», explicou o secretário de Estado da Justiça, antes de ser pisado pelo bulldozer comandando pelo primeiro-ministro.

    «Desculpe, senhor secretário de Estado, não vi que tinha aí o seu pé», lamentou Passos Coelho. «Por quem sois, senhor primeiro-ministro, é só o pé de um secretário de Estado, se quiser pise também o outro», convidou, embora à rasca, o secretário de Estado.
    Como faz sentido!!!!
    BEM HAJA

  3. Maria Adélia Antunes Afonso diz:

    Um excelente artigo Ilustre Amigo Carlos
    Gostei por ser publicado mas me indigna e estou triste, triste por ver que se vá uma mais valia de Oleiros, sem sequer um protesto, uma manifestacao uma luta da pupulacao…hoje nos fecham o tribunal…e há manha que nos vao fechar??? Oleiros tem muito boa gente, sao muito humildes, gostam de ajudar uns aos outros, sempre foram unidos, todos para um e, um para todos…porque nao o somos agora tambem para Oleiros que, é a nossa terra e precisa das nossas vozes do nosso apoio… acordamos Oleiros unidos somos fortes e podemos conseguir…nao dexamos que nos levem tudo sem haber um mínimo de luta.
    Ilustre Amigo Paulino. possívelmente a pupulacao nao atribui importância a este acontecemento mas, simplesmente porque nao se les comunicam o que está em risco…eles nao se apercebem dessa importância…comfiam no Presidente da Câmera e a sua equipa…portanto sao eles que deveriam de tomar essa posicao e lutar pelo povo…e se for necessário comunicar à populacao o que está em risco aconcelhar-les do que devem fazer etc.,etc.

    Nao dizer apenas que a populacao nao atribui importância a este acontecimento se provávelmente nem intentaram fazer entender à populacao essa importância e, o que está em risco…
    è mais fácil dizer que a populacao nao atribui…os culpados ? A pupulacao ! Assim se lavam as maos ficam bem e um esforco menos que tem…
    Simplesmente triste e me dá pena…
    MA

    • Minha Amiga, obrigado por nos ler aí tão longe, mas tão perto do coração.
      O nosso Jornal tem falado com a população, com responsáveis políticos da Câmara e escrevemos hoje ao Presidente José Santos Marques. estranhamos o silêncio, mas, antes, as respostas que recebemos são de apoio ao nosso combate e de repúdio pelas decisões que estão a ser tomadas.
      Oleiros está muito envelhecido como Concelho, as pessoas não percebem o que se está a passar e não há opinião pública, coisa que se lamenta. Não podemos fazer mais. Terão de ser os responsáveis locais a agir, estranhamente não se ouve nada. Um abraço, PF

  4. Maria Adélia Antunes Afonso diz:

    É lamentável sem dúvida o que está acontecendo, também de que Oleiros esteja tao envelhicido…certo é que, está esquecido pelos nossos políticos.
    Vocês Amigos já fizeram muito… por escrever este importante artigo e publicar. Agora nos resta esperar que, os responsáveis locais nao adormecao e possam reagir antes de que seja demasiado tarde. Os meus parabéns pelo excelente e importante artigo e bem hajam.
    Abraco, MA

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