O segundo maior jornal do país vai à falência
“ Eleftherotypia saíu de novo este fim de semana e procura innvestidores“
A empresa, constituída pelo jornal e por um serviço de tipografia e edições, emprega 800 trabalhadores, dos quais 240 jornalistas. Era o segundo jornal mais lido do país, com 25 a 27 mil vendas da sua edição diária, 35 a 40 mil na edição de sábado e um recorde de 60 a 80 mil na edição de domingo. Contudo, não conseguiu escapar à crise. A situação económica levou ao estrangulamento da publicidade estatal, bastante relevante na área do turismo e da lotaria, e não só. “A difícil situação económica do jornal era real”, avalia Georges Gouros, contabilista do jornal. “Mas não estamos a falar de uma exceção, nenhum jornal resistiu à crise, nenhum diário dá lucro”.
Então, porque é que apenas o Eleftherotypia foi à falência? Tem uma especificidade, as suas proprietárias não tinham atividade noutras áreas, apenas detinham a empresa. De resto, a maioria das restantes publicações pertence a grupos económicos onde o foco são outros negócios. Podem assim tapar o prejuízo dos jornais para os manter, dado que são importantes para pressionar a sociedade e o governo, por exemplo para obter contratos estatais. Um dos principais jornais da Grécia, por exemplo, é detido pelo dono da maior empresa de construção do país. A crise deixa assim a liberdade de imprensa mais exposta a interesses económicos.
Com a crise, deixaram de receber salários em Agosto. Em Dezembro decidem-se pela greve. Pelo caminho rejeitaram um plano de falência para a empresa, decidindo lutar pelos seus postos de trabalho. Até ao momento, só receberam 500 euros a semana passada do sindicato dos jornalistas (ESIEA) e dos sindicatos dos outros setores envolvidos. De resto, sobrevivem das poupanças, mas há quem tivesse salários demasiado magros para poder poupar.
A prioridade é o posto de trabalho
A princípio ficaram na sede do jornal mas a direção tinha outros planos: cortou os telefones, a internet e fechou o sistema informático negando-lhes assim o acesso a tudo o que já tinham escrito. Viram-se forçados a abandonar o edifício, entretanto selado e onde agora apenas se encontra a segurança. Os trabalhadores ainda se deslocam regularmente à sede na esperança de boas notícias, mas até ao momento nada. Também este edifício parece não sobreviver à crise. Imponente, este exemplar de brutalismo em betão e vidro espelhado no meio de uma zona residencial faz lembrar uma fortaleza, era parcialmente alugado a outras empresas. Agora está completamente vazio.
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Pode regressar regularmente em breve. Aqui fica a solidariedade do Jornal de Oleiros. Director

