Legislativas em França, Hollande confirma vitória

1ª volta das Legislativas em França

O Partido Socialista e os seus aliados ecologistas Os Verdes conquistaram 40% dos votos (35% + 5%) na primeira volta, que registou uma taxa de abstenção de 42%, um recorde negativo e o nível mais baixo dos últimos 50 anos de legislativas. A votação poderá “render” aos socialistas entre 283 e 329 lugares na câmara baixa do Congresso, de acordo com as projecções de instituto de sondagens CSA.

Presidente da França

Com os 12 a 18 lugares dos Verdes, o Presidente parece ter já garantidos os 289 votos que compõem a maioria absoluta.

Mas apesar da posição confortável que leva para a segunda volta, François Holande não poderá interpretar o resultado desta noite como a “maioria larga, sólida e coerente” que tinha pedido aos franceses durante a campanha: a União Movimento Popular (UMP), partido conservador do ex-Presidente Nicolas Sarkozy, conseguiu exactamente a mesma votação, 35%, dos socialistas. “As coisas não são tão simples e binárias como podem parecer à primeira vista”, sublinhou, numa primeira reacção aos resultados, o presidente da UMP, Jean-François Copé.

Na sua opinião, o nível da abstenção é um sinal de que “não existe uma mobilização e aceitação clara do projecto do PS”, e uma indicação de que “os franceses não estão interessados em pôr todos os ovos no mesmo cesto”, disse. “Não deixaremos de apelar à mobilização geral: os nossos compatriotas mostraram que estão preocupados com a inevitável subida dos impostos para pagar as promessas do senhor Hollande; os franceses querem disciplina fiscal”, argumentou.

Para a antiga candidata presidencial socialista, Ségolène Royal – que estava à frente da contagem na circunscrição de La Rochelle – a votação da primeira volta “dá um conteúdo ainda mais concreto ao desejo de mudança expresso nas presidenciais e permite que o Parlamento possa respaldar o Governo de Jean-Marc Ayrault” – o primeiro-ministro nomeado há um mês foi facilmente reeleito deputado, com 55% dos votos em Nantes. O ministro dos Negócios Estrangeiros e número dois do Governo, Laurent Fabius, também venceu facilmente.

Em declarações à France 2, Ségolène anunciou a sua intenção de se candidatar à presidência da Assembleia Nacional. “Se tiver a imensa honra de ser deputada, ficarei feliz se puder ser a primeira mulher a ocupar este cargo”, observou.

Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional, voltou a obter um resultado histórico para o seu partido de extrema-direita, que cresceu dos 4% de 2007 para os 14%. A candidata esmagou no círculo de Hénin-Beaumont, onde concorria com o líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que terminou em terceiro lugar e ficou impedido de correr na segunda volta (que Le Pen, com 42%, vai disputar ao candidato socialista, Philippe Kemel).

Mas apesar da sua desilusão pessoal, são os cerca de 7% obtidos pelo seu movimento radical (que poderá eleger entre 13 a 20 deputados) que desequilibram a composição da futura Assembleia Nacional fortemente para a esquerda. “É óbvio que estou desiludido, é normal. Mas não é razão para me deixar abater: afinal, a grande roda da história continua em marcha”, reagiu Mélenchon.

Pelas estimativas do instituto de sondagens Ipsos, deverão ocorrer entre 25 a 30 “triangulações” na segunda volta eleitoral, muitas delas envolvendo candidatos da Frente Nacional (que poderá conseguir três deputados ou nenhum). Mas isso não quer dizer que a direita esteja em condições de impedir um parlamento de esquerda – todos os líderes da UMP, de Copé ao ex-primeiro-ministro François Fillon, rejeitaram liminarmente a hipótese de uma aliança com o partido de Marine LePen.

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