O FAROL, ” Rigor e Exigência”, por António Graça

O Farol

Por António Graça

Eng. António Graça

Nota: O Farol não reconhece as regras do NAO (Novo Acordo Ortográfico)

Rigor e Exigência!

O primeiro-ministro tem utilizado frequentemente no seu discurso, as palavras rigor e exigência.

Quanto à necessidade de rigor e exigência, não duvidamos da sua necessidade e das boas intenções do Dr. Passos Coelho quando tal invoca, mas a prática mostra que o 1º ministro é um pouco como frei Tomás “faz como ele diz, mas não como ele faz”, isto porque o rigor e a exigência apenas servem para penalizar quem vive do seu trabalho e da sua reforma, extorquindo insaciável e insensivelmente o produto desse mesmo trabalho e da reforma, enquanto outros tipos de rendimentos passam incólumes por entre as bárbaras medidas aplicadas.

Senhor Primeiro-Ministro, num contexto em que tudo é pedido ao cidadão comum, o seu governo ainda pouco fez para que os portugueses sintam que o sacrifício que lhes é exigido é acompanhado pelo Estado, uma vez que os maiores buracos por onde desaparece o dinheiro dos nossos impostos, continuam por tapar. Para além disso, o país não vislumbra vestígios de uma política económica, ainda que condicionada pelos factores externos conhecidos, política que permita atenuar a queda do país numa espiral recessiva de consequências imprevisíveis.

Parcerias-Publico-Privadas

Comecemos pelas tão faladas Parcerias-Publico-Privadas. Nove meses após a tomada de posse do seu governo ainda não se encontra definido quem vai fazer a avaliação destas ruinosas parcerias feitas pelo estado, o que contrasta chocantemente, e perdoe-me voltar ao tema, com a rapidez com que o seu governo confiscou os rendimentos de quem trabalha.

Os portugueses têm o direito de exigir que estas parcerias sejam objecto de rigorosas e isentas análises de viabilidade, baseadas em informação credível e que as suas conclusões sejam tornadas públicas. Aliás, por esta altura, todos os contratos deveriam, em nome do exaustivamente invocado interesse nacional, estar suspensos até à conclusão das acima referidas análises.

A renegociação dos contratos deve ser feita com o objectivo óbvio de aliviar os encargos do Estado e não de os agravar, tal como aconteceu no governo anterior, sem que os responsáveis tenham sido objecto qualquer tipo de penalização.

BPN

Outra exigência que os portugueses têm todo o direito de lhe fazer, até porque são eles quem paga a factura daquela que deverá ser a maior fraude de sempre cometida em Portugal, é que, custe o que custar e a quem custar, lhes seja explicado detalhadamente, porque é que de um “buraco” inicial de cerca de 800 milhões de euros se alargou para os actuais cerca de 5 mil milhões de euros.

Quem é responsável? Quem beneficiou com a situação? Sim Dr. Passos Coelho, porque neste caso, aplicando o velho princípio dos vasos comunicantes, se o nível do buraco aumentou, o que lá falta deve estar em algum lado não é?

A não ser tudo bem explicadinho “tintim por tintim” como costuma dizer-se, os senhores serão coniventes com a fraude e fica a ideia que toda esta operação do BPN foi feita para encobrir rabos-de-palha de gente importante.

ENVC

O que se está a passar com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo é inadmissível e constitui um enorme atestado de incompetência à acção do estado, e a prova de que” em Portugal não são necessários argumentos para não se fazer”.

Sr. Primeiro-Ministro, os ENVC são uma unidade industrial credenciada, que actua num sector altamente concorrencial. A sua gestão não pode estar confiada a uma qualquer estrutura governamental gerida por boys sem capacidade nem competência para tomar decisões certas na altura própria, nem tão pouco pode estar dependente da boa vontade de um ministro ou de qualquer outro funcionário do estado, necessita de uma gestão dinâmica e pró-activa. A não ser que se queira destruir a empresa, e, nesse caso temos de concordar que os terrenos onde a mesma está implantada serão muito apetitosos para promotores imobiliários.

NÃO ao NAO

Tem decerto notado quem nos lê que o autor destas linhas recusa a aplicação das regras do chamado novo acordo ortográfico

  1. Trata-se de uma posição pessoal e política. De facto, entendemos que o acordo é uma aberração genética, na medida em que subordina a ortografia da língua mãe à de uma das suas derivadas
  2. Nenhum governo ou instituição tem legitimidade para obrigar os cidadãos a respeitar o acordo. Como disse o Sr Director da Faculdade de Letras de Lisboa “existem funções relativamente às quais é abusivo o estado arrogar-se no direito de exercer.
  3. Mesmo que tal fosse possível, a entrada em vigor do acordo depende de condições que ainda não estão satisfeitas
  4. A evolução da língua e da sua ortografia são processos naturais e não actos impostos por via legislativa
  5. O acordo, tal como está, espelha apenas os egozinhos dos intelectualóides de meia-tigela envolvidos no mesmo, que pretendem desta forma ficar ligados à história da língua portuguesa
  6. A riqueza de uma língua está na sua diversidade escrita e falada e o seu dinamismo é gerado naturalmente por aqueles que a utilizam no seu dia-a-dia. Isso não pode ser negociado nem imposto
  7. Acreditamos que o tempo se encarregará de esmagar esta aberração e de devolver ao seu insignificante anonimato os seus promotores.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Economia. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *