Réquiem do Entrudo, por Carlos Fernandes

RÉQUIEM DO ENTRUDO
O Carnaval teve a sua origem numa festa popular já anterior ao Cristianismo. Tudo começou em Itália e a festa era chamada “Saturnália”, em homenagem a Saturno. Nesses festejos eram figuras de honra aos deuses greco-romanos, Baco e Mono e aconteciam nos meses de Novembro e Dezembro. Durante essa festa, que tinha lugar na cidade de Roma, toda a população se misturava, inclusive os escravos com os senhores… e por vezes cometiam-se imoralidades. Com o aparecimento e expansão do Cristianismo, surgiram os primeiros sinais de censura a esses festejos.
A igreja católica conseguiu determinar que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma. Os Italianos adoptaram  então a palavra “Carnevale” – “vale tudo o que se quiser fazer…” antes da Quaresma, numa espécie de abuso de carne.
A festa de Carnaval chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo, isto é – introdução à Quaresma através de uma brincadeira agressiva e pesada. Era  um divertimento marcado por gastronomia própria, mas também por alguma violência. Faziam-se esferas de cera bem finas, com o interior cheio de água e depois atiravam-se às pessoas.
Havia quem fosse mais longe nas suas atitudes; injectavam dentro dessas esferas substâncias  mal cheirosas e impróprias…
No ano de 1882 o comércio iniciou o costume de fechar as portas na terça-feira de Carnaval para haver os desfiles nesse dia.

Na actualidade o carnaval deixou de ser uma festa para ser uma manifestação de desagrado, contra as políticas populistas e demagógicas da tutela ,já que esta numa atitude nunca vista decidiu abolir a tolerância de ponto aquando da data , sem levar em conta as especificidades das regiões , as suas tradições uma vez mais tentando apagar a sua identidade, e mais grave contribuindo para o cada vez pior resultado das economias locais, fomentando assim a  desmotivação, e o desemprego e sobretudo a instabilidade social , tal é a revolta.

Não me conformo com as pequenas injustiças. Aceito as grandes, porque são inevitáveis, como as catástrofes, e atestam a impotência dos deuses.
Aquela criança, descalça, apenas precisava de uns sapatos.

Se tivesse nascido sem pés, não era tão grande a minha revolta.

Bem hajam

Carlos Fernandes

 
 

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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