Natal das Maiores Felicidades, por Professor Fernando Caldeira da Silva

NATAL DAS MAIORES FELICIDADES

Rev. Fernando caldeira da Silva

O jumento mal alimentado escolhia onde colocar as patas na vereda agreste e pedregosa, prosseguindo por entre os ramos rasteiros das árvores e dos arbustos que enchiam as encostas dos montes. A ordem daqueles intrusos romanos era que todos tinham de recensear-se e por isso lá tinham José e Maria de ir de Nazaré até Belém donde era a família para o recenceamento decretado por Augusto. Pelo caminho íam conversando com outros trauseuntes que como eles íam para as suas terras de origem com a mesma finalidade. Seguiam a contragosto lembrando-se de como David fora castigado por recensear o povo de Deus, mas não tinham outro remédio senão obedecer ou arcar com as consequências dum processo condenatório em tribunal.

Era possivelmente o ano menos seis da era cristã. O Menino que de partenogenese havia de nascer da Virgem Maria poucos dias depois em Belém era desconhecido demais para a data do seu nascimento ficar registada nos anais da história. Mas já o Rei Herodes não. A morte desse rei que mandou matar os primogénitos com idade de dois anos para baixo em Belém foi registada por Flávio Josefo, historiador seu contemporâneo que afirmou ter a morte do rei ocorrido no equivalente ao ano 4 AC (Antes de Cristo). Desta forma, o nosso calendário está certamente errado em vários anos.

O dia 25 de dezembro era dedicado ao deus sol e a cristandade adotou-o como a celebração do nascimento por excelência, o de Jesus Cristo. Aceitamos celebrar o Natal de Cristo neste dia apenas porque não sabemos o dia em que nasceu e também porque afinal marca a vitória do cristianismo sobre o paganismo na cultura ocidental. Mas a verdade é que não podia ter nascido no inverno porque os pastores tinham os seus rebanhos no campo à noite e portanto era primareva, verão, ou início de outono. O dia era de festa no cosmos, na nossa e na quarta dimensão, em que multidões de anjos cantaram: Hossana nas alturas! E informaram “Na cidade de Belém vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” Enquanto os pastores dos rebanhos assistiam assustados à cena inigualável, ouviu-se o primeiro choro do Menino numa gruta perto da Belém. Porque não havia lugar para Ele na estalagem. Obviamente que não, não tinham dinheiro para tanto. Mesmo oito dias mais tarde haviam de levá-lo ao templo a Jerusalém para dedicá-Lo mas não tinham dinheiro suficiente para pagar o cordeiro que a Lei mosaica requeria, e em vez dele compraram dois pombos para sacrificar como faziam todos os outros pobres.

Apesar de parecer desconhecido, o sacerdote Simeão reconheceu-O como a materialização profética messiânica ao oferecer por ele o sacrifício no templo. E alegre, a profetiza Ana foi apressadamente anunciar a todos os do remanescente que aguardavam pacientemente pelo Messias. Afinal, o “Filho de David” havia de vir para restaurar Israel à sua definitiva glória internacional e isso passava pela restauração do Tabernáculo de David que estava quebrado à muitas centenas de anos. Nessa restauração os gentios podiam entrar à presença da Arca do Concerto, ou seja, à próprio presença de Deus no Lugar Santíssimo. Que revolução espiritual e moral cheia de felicidades. Entretanto, reis magos vieram do oriente para adorá-Lo mas não sabemos exatamente quando. Talvez então lhes tivessem dado dinheiro (o ouro) com que fugiram para o Egito. Enfim, nasceu Jesus Cristo o Salvador de todos os que crêem Nele para a vida eterna. Feliz Natal a todos!  

Fernando Silva

Nota do Director: Fernando caldeira da Silva, Professor Universitário, Ilustre, é um Amigo muito Querido, um Oleirense “dos sete costados” e é o nosso representante em toda a África Austral, escrevendo-nos a partir da África do Sul.

Tê-lo nas nossas páginas é uma Honra, eventualmente não merecida, mas que agradecemos.

Seguramente, falo em nome de todos os Colaboradores, envio um abraço e os melhores Votos de saúde e Festas Felizes, tranquilas, sóbrias como sempre e sempre nos ensinou.

Director              

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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