O Farol: Greve Geral? Para quê? por António Graça

O Farol

Eng. António Graça

Por António Graça

Nota: O presente texto não segue as regras do novo acordo ortográfico

Greve Geral? Para quê?

As duas centrais sindicais portuguesas, em obediência aos partidos que as controlam, marcaram para o passado dia 24 uma greve geral.

Dependendo do conceito que se possa ter sobre o que é uma greve geral, a do dia 24 tanto pode ser considerada um completo fracasso como um êxito relativo.

Se o conceito de greve geral for o de um movimento grevista que tem como objectivo paralisar o país, estivemos perante um completo fracasso, já que o país não parou, e algumas ausências das pessoas nos seus locais de trabalho deveram-se, sobretudo às perturbações provocadas nos transportes públicos, os quais, mesmo assim, funcionaram, embora em ritmo reduzido, apesar de algumas tentativas de sabotagem levadas a cabo por grupelhos de agentes políticos, arrebanhados para esse fim, que as autoridades se encarregaram de neutralizar sem grande aparato.

Se, por outro lado, o conceito de greve geral for o de um movimento que apenas procura provocar confusão e prejudicar quem vive e precisa do seu trabalho, então houve um êxito relativo, porque, apesar de todos os esforços dos grevistas e das forças que os apoiaram, nomeadamente alguns deputados do partido comunista, os verdadeiros trabalhadores fizeram o que estava ao seu alcance para chegar aos seus locais de trabalho e a greve acabou por ser simplesmente, um movimento gerador de alguma confusão, limitada à capital, e uma desculpa para quem não tem vontade de trabalhar.

 Quem decerto não fez greve foram os cerca de 700.000 desempregados que o país tem actualmente, porque, quem aderiu à greve foram aqueles que têm o emprego e o salário garantidos pelo dinheiro dos contribuintes. Aqueles que, por exemplo, nas falidas empresas públicas de transportes usufruem de regalias que administradores incompetentes e políticos cobardes não quiseram contrariar, mesmo sabendo os efeitos negativos que provocavam nas empresas.

Para quê?

Para que foi feita esta greve? Não foi certamente para contribuir para a solução dos problemas do país. Isso é um assunto que não interessa minimamente a quem a promoveu.

Serviu apenas para mostrar que as centrais sindicais ainda mexem, para o partido comunista e alguma esquerda socialista se iludirem da posse de uma força que há ,muito deixaram de ter, para os sindicalistas, que já não sabem o que é trabalho, justificarem os dinheiros que os verdadeiros trabalhadores descontam para os sindicatos, e para alguns penduras como o Chiquinho Louçã e o seu inútil Bloquinho se porem em bicos de pés.

Para quê esta greve?

Para fomentar uma política de terra queimada?

Para mostrar, em cobertura mediática cenas iguais às da Grécia e Itália?

Para ajudar a falir mais um bocadinho um país em sérias dificuldades?

Todos os portugueses que precisam de trabalhar para viver, sentem na pele a dureza das medidas adoptadas pelo governo, as quais podem ser contestadas e são, quanto a nós, um rotundo falhanço em termos de política económica, mas, ainda ninguém apresentou medidas alternativas consistentes para atingir os objectivos a que o país se comprometeu, apenas surgiram alguns palpites desgarrados, baseados em almofadas e folgas, sem fundamentação credível.

Além disso, cada vez que é anunciada uma medida de contenção de despesas, logo se levanta um coro de indignados, que se comportam como se a crise fosse um problema que os outros devem resolver. É o caso dos chamados “ Agentes culturais”, uma casta subsídio dependente, que, sob o pretexto de produzir cultura(?), vive à boa vida, polindo o mobiliário dos bares das noites das nossas cidades.

A cultura é indiscutivelmente, um dos pilares importantes de qualquer sociedade moderna, mas, o que a maior parte destes indivíduos produz é, pura e simplesmente lixo, que ninguém, excepto, talvez, os seus amigos e familiares próximos se dá ao trabalho de consumir, mesmo que seja “de borla”.

O Manifesto

O Dr Mário Soares é, sem dúvida, um personagem controverso da nossa política, pelas posições, frequentemente contraditórias que assume.

Aqui há dias, decerto ao despertar de uma das suas famosas sestas, um grupo de amigos, da esquerda intelectual do whisky e do caviar, deu-lhe para assinar um manifesto.

Se o Dr. Soares tivesse lido o papelucho com atenção não o teria assinado, já que o mesmo entra em várias contradições com a sua prática pessoal e experiência política, nomeadamente quando invoca as preocupações da Igreja Católica relativamente ao estado actual do país. Mas, o Dr. Soares não é um ateu convicto???

Os amigos são para as ocasiões. O papel e os seus criadores valem o que valem e o episódio apenas servirá para mais uns momentos de visibilidade do grupo. Esta corrente já deu sobejas provas do que não sabe fazer. Melhores dias virão.

Até breve

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