Viver ou Existir? – Por Fernando Caldeira da Silva

VIVER OU EXISTIR?

A semana passada tive de cumprir o dever de assistir ao funeral do Rev. Derick Stone que durante alguns anos foi meu colega na Religious Liberty Commission com ação internacional. Um cancro foi a justificação que a morte arranjou para lhe ceifar a vida. A morte… Sempre traiçoeira definitiva e certa. Estando ali, na Maranatha Community Church em Kempton Park, pensava comigo na obra deste homem abnegado. Foram anos a fio a viajar com a Open Doors para países islâmicos como o Egito, o Irão, e o Iraque, procurando dar apoio a líderes cristãos de todas as “cores”. Incluindo líderes e membros protestantes, evangélicos, ortodoxos, católicos romanos, coptas, nestorianos… Gente que como nós tem a sua fé em Cristo e a Bíblia por seu livro sagrado mas que nos países da chamada Janela 10 / 40 não gozam como nós no mundo ocidental da liberdade de pensamento, de crença, de expressão, de associação, de reunião, e de religião.

Fernando Caldeira da Silva

A cerimónia incluiu excertos dum vídeo do seu último sermão, que pregou no início deste ano, mas já sob os olhares atentos da morte montada no no seu cavalo cancro. Visivelmente frágil fisicamente, no entanto o seu espírito expressava através das palavras uma paixão contagiante. E a pergunta que colocava à audiência era porque passamos tanto tempo a existir quando é muito melhor viver. Questão fundamental da vida em que devíamos refletir neste momento difícil da nossa história nacional. Essencialmente, a vida inclui um conjunto de escolhas, mas sempre num ambiente de interação e correspondência com o meio ambiente. Ou seja, o meu pulmão está vivo enquanto corresponde com o ar da atmosfera que respira dando e recebendo. Mas ainda a vida vivida apenas como existência é superficial e sem significado. Vida vivida com intensidade e apaixonadamente é inspiradora e cheia de felicidade. Ou não tivesse Jesus Cristo afirmado, “O diabo não veio senão a roubar, a matar, e a destruir, Eu venho para que tenham vida, e a tenham com abundância” (S. João 10:10).

A perceção das sociedades modernas sobre o que é viver feliz é formada por publicitários e filósofos infelizes porque niilistas. Os significados e os valores sólidos são substituídos por outros plásticos e temporários. Mas o que o ser humano realmente precisa para ser feliz é afinal bem pouco. Acerca disto, visitando a prisão onde em Roma o grande apóstolo Paulo escreveu várias das suas cartas, lembrei-me da sua Epístola a Filemon. A razão da carta era acerca do escravo de Filemon por nome Onésimo, que roubara muito dinheiro ao seu senhor e fugira para a capital do império. Talvez desta forma encontraria a liberdade e a felicidade. Mas não a encontrou. Como soube que Paulo estava preso – a quem conhecia das reuniões da igreja na casa do seu senhor Filemon – decidiu ir visitá-lo, desesperado por falta de paz interior. E Paulo explicou-lhe que apesar de estar com cadeias nas mãos e nos pés, o seu espírito estava livre, enquanto era exatamente o oposto o que estava a acontecer com Onésimo. Este, acabou por aceitar a mensagem cristã, tornou-se discípulo, e decidiu fazer os que era certo: Voltar humildemente a casa do seu senhor para assumir a responsabilidade dos seus atos. Mas agora com o coração cheio da presença e dos pensamentos divinos que lhe vinham da experiência pessoal e íntima com Ele, e portanto, feliz e livre.

Por: Fernando Silva

Nota do Director: O dia de hoje é um dia particularmente feliz para mim. Acordar cedo e ter o previlégio de ler Fernando Caldeira da Silva e, ler ainda sobre a matéria que aborda é “sorte a mais, imerecida eventualmente“.

Obrigado Professor, um enorme aplauso e um grande abraço.  

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