O Farol – “Cartões Vermelhos”

O Farol

Por António Graça

Cartões Vermelhos

 

Agora, que a poeira levantada pelo último acto eleitoral já assentou, podemos fazer uma análise a frio dos seus resultados.

Os portugueses, inteligentemente e como seria de esperar, afastaram quem, pretendendo ser a solução, era, afinal, o problema do país. Foi o cartão vermelho com maior significado do dia. Sabendo que os tempos que se aproximam vão ser duros e que o seu partido, PS, se encontra completamente comprometido com as políticas que nos são impostas pelos nossos credores, achou por bem ir embora. Fê-lo com a sua habitual teatralidade, demagogia e auto-elogio. Dizem que vai estudar filosofia para Paris. É uma forma politicamente correcta de virar as costas à situação em que deixou o país. Alguém disse que “Sócrates devia ser proibido de sair do país enquanto o programa da troika não estiver totalmente cumprido”.

Cartão vermelho amealhou igualmente o Bloco de Esquerda, que viu reforçada a sua imagem de inutilidade política e de simples clube de meninos burgueses com complexos de esquerda.

Embora os habituais comentadores o não tenham referido, quem também viu um enorme cartão vermelho foi o cacique açoreano, que perdeu 15.000 votos para a concorrência, não conseguindo sequer ficar na média nacional do seu partido, PS. A sua demissão seria um acto de dignidade.

O último cartão vermelho vai para a Comissão Nacional de Eleições, que se mostra incapaz de proceder a uma actualização dos cadernos eleitorais, provocando em todos os actos eleitorais níveis de abstenção fantasmas.

carta a Pedro e Paulo

Os eleitores portugueses recusaram, quanto a nós bem, a formação de uma maioria absoluta unipartidária, preferindo confiar a condução dos destinos da nação, nesta hora difícil, aos partidos liderados por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

Os dois lideres estão, não temos qualquer dúvida, rodeados de conselheiros e especialistas de alta qualidade, mas, mesmo assim, gostaríamos de lhes transmitir algumas ideias que deixamos aqui sob a forma de carta aberta,

Caros Pedro e Paulo

A dura tarefa de conduzir o país, foi-vos confiada pela vontade de mudança manifestada pelos portugueses no passado dia 5 de Junho.

Essa mudança implica, antes do mais, como sabeis, o fim da política de mentira, de ocultação das realidades, da manipulação de situações e instituições, do favorecimento de interesses privados em prejuízo do interesse público, etc., etc.

Tendo em vista essa mudança, tereis de ter força e coragem para resistirdes a vários assédios, nomeadamente:

– dos vendedores de TGV’s

– dos comerciantes de betão e asfalto

– dos produtores de pareceres e estudos

– dos agiotas da finança

– dos subsidio dependentes

Estes, e outros, irão cair, a curto prazo, sobre o vosso Governo, na esperança de continuarem a ser parceiros privilegiados das decisões governamentais.

Nesta hora, a haver privilegiados, terão de ser os cidadãos que se sacrificam para que o país possa honrar os seus compromissos e não esses grupos de interesses.

Os portugueses terão de perceber claramente que o governo trabalha para todos e não apenas para alguns poucos, como até agora.

Apesar de todas as condicionantes, a economia tem de crescer, pouco que seja.

Haverá que encontrar os caminhos para que isso se torne uma realidade.

Mas, gostaria de vos dizer que, para encontrar esses caminhos, não são precisos sábios.

Esses, do alto dos seus pedestais e envoltos na carapaça das suas teorias, estão distantes das realidades, não conseguem compreendê-las, nem encontrar as necessárias soluções.

Veja-se o exemplo simplista, mas objectivo, da selecção nacional de futebol. Eenquanto dirigida por um professor, foi o que se viu, agora, comandada por um dos seus iguais é o que se vê.

São pois precisas pessoas com provada experiência e criatividade a quase todos os níveis de actividade da sociedade portuguesa, que foi inundada nos últimos tempos por um “tsunami” de mediocridade e incompetência.

Até breve

Eng. António Graça

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