O FAROL

POR ANTÓNIO GRAÇA

A IMPUNIDADE DOS POLÍTICOS…A INTELIGÊNCIA DOS PORTUGUESES

Já fizemos referência, em crónicas anteriores, aos inconvenientes de reduzir a democracia à participação nos actos eleitorais.
De facto, e retomando o tema, quando votamos para a eleição dos deputados à Assembleia da República, e, consequentemente, para a formação de um governo, estamos a passar um cheque em branco, em princípio com a validade de quatro anos, a um conjunto de indivíduos dos quais não conhecemos, na sua maioria, o passado, a idoneidade ou a competência para ocuparem os cargos para que são eleitos.
A acrescentar a este facto, verifica-se que, um número significativo dos cabeças de lista dos partidos, não tem qualquer ligação aos distritos pelos quais se candidatam, são aqueles que, por conveniência do chefe do partido, ou por pressões de grupos de interesses, são colocados naquelas posições, é assim no caso das listas do PSD, 20% dos candidatos, do PP, 30% dos candidatos e do PS, 40% dos candidatos. Assim sendo, é errado concluir que os cidadãos elegem os seus representantes na Assembleia da República.

A IMPUNIDADE DOS POLÍTICOS
O principal risco deste sistema reside na possibilidade de os indivíduos eleitos, e os nomeados para cargos na Administração pública e de governação, poderem, no período para o qual são nomeados, cometer todo o tipo de atrocidades, prejudiciais aos interesses do país e dos cidadãos, criando situações de enxovalho e de dificuldades para Portugal, como a que agora vivemos. Tudo isto acontece porque os políticos gozam de total impunidade pelas consequências dos seus actos, não tendo qualquer penalização visível por isso. Dizem que serão julgados politicamente. Ora, ora!
Em nosso entender, quem, no desempenho de funções públicas, comete actos que lesam os interesses nacionais, deveria ser punido, no mínimo, com a proibição de exercer ou candidatar-se a cargos ligados, directa ou indirectamente ao Estado, por um período não inferior a duas legislaturas completas.

A INTELIGÊNCIA DOS PORTUGUESES
A campanha eleitoral entrou nos seus últimos dias. Tem sido uma campanha muito fraca. A preocupação dos políticos dos dois principais partidos, com particular exagero do partido do governo demissionário, tem sido o dizer mal do adversário. Os responsáveis pela situação a que o país chegou, falam como se nunca estivessem cá estado e ignoram os problemas que criaram, prometendo fazer agora aquilo que destruíram, numa clara tentativa de passar um atestado de estupidez aos portugueses.
Não se ouve uma palavra sobre o futuro do país e de como se pensa conduzi-lo, ainda que limitados pelas imposições dos credores, nem, por exemplo, como reduzir os cerca de 800.000 desempregados que temos, entre outros assuntos de grande importância para o cidadão comum.
Mas… chegou a hora de os portugueses mostrarem aos políticos que são inteligentes, que não sofrem de amnésia e que não aceitam tudo o que lhes querem impingir. Que essa inteligência se manifeste claramente no próximo dia 5 é o que todos esperamos.
Falemos agora de algo muito mais importante.
Estamos certos que a maioria dos portugueses está consciente da situação complicada a que políticos incompetentes o conduziram.
Essa situação leva a que o novo governo a ser nomeado, esteja muito limitado na sua actuação. Tal facto, contudo, não implica forçosamente que algo de positivo não possa ser feito no sentido de estimular a economia portuguesa, factor fundamental para que o país não se afunde irremediavelmente.
Para tal é preciso muito trabalho… de todos.
Os portugueses já mostraram várias vezes, como ainda recentemente na louvável campanha do Banco Alimentar, que são capazes de se mobilizar e trabalhar por causas, lideradas com honestidade e nas quais acreditam.
Caberá assim aos novos governantes o terem a capacidade para mobilizarem os cidadãos a favor do futuro de Portugal, mostrando a esses mesmos cidadãos que o seu esforço será, de facto, em prol do país e não para continuarem a ser descaradamente enganados e explorados, como até agora.
Até breve

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Uma Resposta a O FAROL

  1. O Jornal de Oleiros orgulha-se de ter entre os seus principais Colaboradores o Eng. António Graça.
    Homem com coragem semelhante à do Jornal, sabe do que fala e não se atemoriza nas Suas opiniões.
    Faz sentido, pois este é um momento de clarificação, uma das últimas oportunidades para o nosso Pôvo.
    Não dependemos, ele e o jornal do poder estabelecido. Dependemos só de quem nos lê e, humildade à parte, por alguma razão este site foi considerado de Interesse Histórico e está em gravação permamente pela Memória WEB Portuguesas. Seguramente pela independência que exibimos, mas também pela qualidade.
    Um abraço, António Graça.
    Director

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