” Crónicas de Lisboa ” – As Novas Oportunidades

“Crónicas de Lisboa”

As Novas Oportunidades

Os líderes partidários têm feito desta (pré) campanha uma luta intestina na caça aos votos, enveredando não pelo esclarecimento, mas sim pelos ataques às ideias e programas de cada um. Por enquanto ainda não desceram ao fundo e enveredando pelos ataques pessoais, mas faltará pouco. Esgotado o tema sobre a descida da TSU (taxa social única, na parte referente às empresas, de modo a baixar os custos com a mão de obra e aumentando a competitividade) e a correspondente compensação com a subida do IVA, eis  que  agora o tema da discussão se centra no Programa das Novas Oportunidades (programa de “credenciação com diplomas de adultos). 

Pessoalmente, acredito que no programa  das Novas Oportunidades (NO) haja muita gente que estudou e aprendeu e, desse modo, merece o diploma que lhe foi atribuído, bem como os benefícios, directos e indirectos que acabou ou acabará por colher desse investimento pessoal, mas também do Estado. Contudo, o que se diz por aí é de que as NO foi um sucesso de “engenharia” do Governo do PS, para elevar o “nível  da formação” dos portugueses e, desse modo, alterar as estatísticas e a classificação de Portugal no ranking mundial. Burla estatística? Na mesma linha dessa “cosmética estatística,  digo eu, está a vontade deste governo em querer tornar obrigatório o ensino até ao 12º ano, como se a qualidade se obtivesse com o alargamento da idade escolar, sem investir noutras componentes, essas sim fundamentais para a elevação do nosso nivel cultural e de competências.
É desejávem e necessário que os portugueses adultos  voltem á escola e aprendam  de facto,  reciclando os seus conhecimentos, pois nesse aspecto até estamos muito mal classificados, isto é, somos um país onde a taxa de “regresso à escola” ou se quisermos a chamada “formação de activos” é muito baixa, mas talvez tenhamos razões para desconfiarmos de que estamos a pagar uma burla que ainda por cima acaba por fazer concorrência injusta àqueles que, no duro, estudam e aprendem, com custos para os próprios e para o Estado. Admitindo que tenha havido “facilitismo”, desde que o programa existe,  qual a responsabilidade das escolas envolvidas, para alem das entidades governativas? Por outro lado, seria interessantes saber também quantas pessoas mudaram de escalão, e consequentemente de vencimento mensal, essencialmente na função pública onde os vencimentos são, em norma de acordo com os “diplomas”, graças às NO. Se sim, quanto custa isso ao erário público, sem que os conhecimentos dessas pessoas tenha aumentado? Conheço algumas pessoas que “reciclaram” a sua formação e que obtiveram o diploma nas NO, mas não é visível que os seus conhecimentos técnicos e culturais tenha subido.

Perante a questão levantada pelo líder do PSD, que pretende que seja feita uma auditoria ao programa das NO, logo o candidato do PS veio a terreiro mostrar a sua indignação e invocando que aquele está a por em causa a idoneidade das pessoas que já frequentaram as NO . Não fosse o homem “engenheiro” e também ele tenha obtido um diploma que tem levantado muitas suspeitas, isso já seria suficiente para nos levar a pensar que o pedido de uma auditoria ao programa das NO , mencionado pelo PSD, tem razão de ser. Obviamente que o “engenheiro” e seus “ventrículos” até já vieram dizer que essa auditoria já foi feita pela Universidade Católica, mas esqueceram-se de informar os portugueses que essa auditoria abordou apenas o grau de satisfação dos formandos, que, obviamente, não seria má, tal os “benefícios” que obtiveram, incluindo e penso, a atribuição dum computador portátil. Já viram por aí algum português  queixar-se do “facilitismo” se (também) ele for beneficiado com isso?

Invista-se, a sério , na formação e na educação, mas não facilitemos, só para enganarmos as estatísticas mundiais. Eu, pessoalmente e muitos milhares da minha geração, tenho moral para criticar esses facilitismos, se de facto existirem, porque  depois de ter cumprido a escolaridade obrigatória – 4ª classe e ter começado a trabalhar para sobreviver, regressei à escola e desde os meus quinze  anos  até aos trinta e dois anos fui “trabalhador-estudante” (incluindo três anos de serviço militar obrigatório), frequentando  desde a escola comercial até à faculdade. Foi (muito) duro e sem qualquer tipo de facilitismos, mas valeu a pena o sacrifício, meu e do meu país, porque essa minha formação teve um elevado custo ao Estado. Este meu “exemplo” mostra que sou um defensor e apoiante de todas as iniciativas que permitam às pessoas investir na sua formação, sem olhar a idades, pois há exemplos de muita gente que o faz já com idades avançadas, mas sem a “batota” que, nalgumas escolas (obviamente que há muitas e boas excepções), as NO, vão “credenciando com diplomas a ignorância” numa “espécie de fast food  escolar” (critica, por exemplo de M. M. Carrilho). 

Desmascaremos todos aqueles políticos que mentem e/ou manipulam, se ainda por cima, somos nós a pagar tudo isso, porque a paciência vai-se esgotando. O nosso PM, no ataque que desferiu ao seu “rival” do PSD,  falou num milhão e meio de  portugueses envolvidos no programa das NO (cerca de quinhentos mil já terão obtido o diploma das NO) e atendendo que são todos adultos, corresponderá ao mesmo número de eleitores que o PS não quererá perder nas próximas eleições, mas que o PSD não se importa do “desgaste” no seu partido,  questionando o programa, em defesa da verdade?  Haja coragem, neste período crítico da nossa vida colectiva, em falar verdade aos portugueses e deixem-se de inverdades (para não dizer mentiras) e manipulações. A mim, poupem-me , por favor.
Serafim Marques

Economista

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