“A caminho do Concelho de Oleiros…sempre” – João Freire

João Freire e Esposa

A CAMINHO DO CONCELHO DE  OLEIROS ….. SEMPRE !!

 

“Sobre o Zêzere debruçada

Reflete nas águas do rio

A imagem encantada

Do seu imenso casario”

 Não sei se o poeta António Cardoso, autor deste verso, encontrado no livro de José Marçal intitulado “boquejo histórico”, manteria hoje a mesma opinião, acerca da vila de Álvaro.

 Quando o fez, a vila e povoações a ela adstrita, certamente tinham outra alegria, mais cor, mais vida, mais moldura humana. Ele não acrescentou, mas certamente ficou convicto de estar a pisar terra de gente simples, ordeira, trabalhadora e muito hospitaleira. Terra centenária de uma beleza sem igual, de gente muito vivida e sofrida, o que lhe dá um cunho próprio e um estatuto de “alma nobre”.

Aqui o ar é puro. O espírito sente-se tranquilo. Há amor pelas coisas. Há amizade, espírito de sacrifício e de entre ajuda na comunidade.

Talvez por isso ainda no boquejo de José Marçal, encontremos as palavras de José Saramago sobre Álvaro:

“ É um autêntico encanto turístico, onde “as nuvens baixas, ajudam a criar uma atmosfera de um mundo intocado”.

Álvaro, pertencia ao grupo das terras virgens, “escondidas” na imensa mancha florestal da área, riqueza que o homem dia a dia, teimosamente, entende por bem destruir.

Mas, mesmo com todos estes predicados, quis o destino que muitos fossem obrigados a rumar a outras paragens, na busca de algo mais e, com o decorrer do tempo, Álvaro pareceu ficar mais só, mais abandonada, mas não.

Os que ficaram souberam defender a sua “dama”. Quem está atento e consegue fazer a destrinça, entre o mundo urbano e rural, sabe que é uma luta desigual e percebe que só uma enorme capacidade de entrega, um  amor abnegado à sua terra, ao bem público, combate essa ideia mesquinha e o sentido conotativo que muitos querem dar, quando falam em “terras do interior”.

Estou a falar de vós que aqui ficastes, cidadãos como eu e sobretudo de vós Srs. Autarcas, que sempre atentos e empenhados, cada um na sua esfera de competência, vêm fazendo história,  criando tudo o que está à vista, estradas, saneamentos, arruamentos, complexos, hospital.

Hoje, mais uma obra veio enriquecer a nossa  vila de Álvaro, a nossa gente. Um imóvel para prestação de “serviço de restauração”, exímio, eloquente, que é com justiça, o  orgulho de quem o sonhou  e de quem  o concebeu. Por sinal junto ao nosso rio Zêzere, hoje melhor que nunca, sorridente, porque as suas águas ainda são límpidas e cristalinas e os barcos a remos, fazem pequenas ondas, devido ao trabalho frenético do “ navegador”, que à custa dos seus braços, levanta as suas águas que de regresso ao leito, com o bater do sol, me faz lembrar “esquírolas de marcassites”.

Que dizer-vos mais. A palavra “obrigado”, tem um enorme significado, mas é pouco e não consegue expressar a felicidade que reina em nós, o sentimento que transportamos, o quanto vos estamos gratos e o quanto estes gestos, estes exemplos de bem servir, são importantes e reconhecidos por nós.

Nós sabemos que é com pequenas espigas de trigo que se compõe uma grande seara e que é com a confluência de pequenas ribeiras que se formam grandes rios. Foi  também certamente esse o vosso pensar e daí,  fruto  do vosso empenho e esforço, afinal da realização do vosso sonho,  recebemos dia a dia  uma freguesia mais bela, mais rica,  e assim, um concelho exemplar, digno, que é o orgulho de todos nós.

Sr. Presidente da Câmara Municipal de Oleiros e Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Álvaro;

Os nossos antepassados, aqueles que com sangue suor e lágrimas, escreveram a história desta vila, até aos nossos dias, estão concerteza orgulhosos de nós, mas sobretudo de vós e onde estiverem, estão certamente contentes, em paz, porque sentem que afinal o seu ideal, traduzido no seu profícuo e árduo trabalho, quantas vezes de sol a sol, determinados em construírem uma terra melhor, não foram em vão.

 Camões, escreveu no Canto I dos Lusíadas

“ E aqueles que por obras valorosas, se vão da lei do morte libertando. Cantando espelharei por toda a parte, se tanto me ajudar o engenho e a arte”.

A lei da morte é o esquecimento. Por aquilo que cada um, na sua área de responsabilidade vem fazendo e oferecendo aos seus munícipes, a história encarregar-se-á, de libertar V. Exas, da lei da morte.

Termino agradecendo aos que para além de V. Exas, se empenharam na realização deste projecto. Membros da Junta de Freguesia, Engenheiros, Arquitectos, elementos de gabinetes técnicos, profissionais de construção civil, a todos aqueles que ajudaram a tornar realidade, este sonho dos “meus” Presidentes de Câmara e Junta de Freguesia. Para eles um eterno, BEM HAJAM.

 E para todos, deixo este pensamento;

“A verdadeira felicidade, vem da humildade e no reconhecermos que sozinhos, somos muito pouco ou quase nada e que a vida somente se completa, com o real sentido de amor ao próximo”.

Neste caso concreto, à sua comunidade aos seus munícipes.

Hoje apetece dizer: “ A caminho do concelho de Oleiros …  Sempre!

 Álvaro, de Abril de 2011

 João Freire

Nota do Director: João Freire, Amigo de Amigos comuns, veio enriquecer o nosso Jornal com um artigo que justifica também refl~exão. A paixão por Álvaro e pela Sua Gaspalha são notáveis.

Daqui da base de trabalho do nosso JO, um abraço ao João e Família.

Director

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a “A caminho do Concelho de Oleiros…sempre” – João Freire

  1. Fernando C. da Silva diz:

    Mais um oleirense a escrever no JO. Bem vindo e obrigado pelo artigo.

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