O Farol

POR ANTÓNIO GRAÇA

OS P.E.C.(ADOS) DE SÓCRATES, ou UMA MANIFESTAÇÃO PRIMÁRIA DE APEGO AO PODER
Por motivos suficientemente divulgados, nomeadamente pelo nosso jornal, e, portanto, do conhecimento da esmagadora maioria dos portugueses, o país atingiu uma situação que, do ponto de vista do tão proclamado interesse nacional, é insustentável.
À parte o apuramento de responsabilidades, que também são claramente conhecidas, embora quem as tem procure desesperada e ridiculamente atribuí-las a outros, a verdade é que os sucessivos P.E.C. do governo Sócrates, nunca atingiram os objectivos para que foram criados, sobretudo pela incapacidade demonstrada pelo governo em gerir de forma adequada e racional a despesa da máquina do estado, tendo as poucas melhorias verificadas nas contas públicas sido obtidas apenas à custa da carteira dos contribuintes.

Eng. António Graça

Apesar do previsível fracasso dos PEC I, II e III, que o governo e o primeiro-ministro nunca reconheceram e que, sempre com a leviandade e demagogia que os caracterizam, apresentaram como êxitos, a verdade é que o insucesso dos mesmos sempre veio a resultar na necessidade de novas medidas, uma vez que o sacrifício dos contribuintes nunca foi acompanhado por uma política honesta de contenção dos gastos públicos.
Desta maneira, e para não ficar mal visto junto dos seus “novos amigos” europeus, entendeu o primeiro-ministro, à escondidas dos portugueses e, particularmente das instituições democráticas, às quais pede sempre solidariedade quando se encontra em apuros e sente ameaçado o seu poder, foi oferecer a esses seus amigos a promessa de um novo PEC, com o qual comprometeu (?) ilegitimamente o país.
Neste ponto, parece-nos oportuno fazer um reparo.
Quando se referem às medidas de austeridade a aplicar em Portugal, os burocratas europeus dizem sempre que; é preciso baixar salários, aumentar impostos, facilitar os despedimentos, etc. Nunca se lhes ouve dizer que é preciso parar os grandes investimentos (TGV, Aeroporto, submarinos, auto-estradas). Porquê? A resposta é simples, porque a paragem dessas obras seria, pelo menos nos três primeiros casos, contrária aos interesses de algumas empresas europeias, nomeadamente alemãs.
Depois de tanta falsidade e de tanta incompetência, manifestadas pelo actual governo, a sua falta de credibilidade, interna e externa, implica que se faça uma limpeza à casa. Em democracia isso faz-se com recurso a eleições, que permitirão aos cidadãos manifestarem a sua vontade quanto ao futuro do país.
Parece, e tudo indica que é o que teremos proximamente em Portugal, apesar do triste espectáculo a que vimos assistindo por parte daqueles que querem, desesperadamente, manter-se no poder, culpando tudo e todos pela situação em que colocaram o país.
O governo e o seu partido comportam-se como um garoto que partiu o jarrão da sala quando jogava à bola dentro de casa e vai fazer queixinhas à mãe de que foi o irmão que partiu a peça de loiça. Simplesmente ridículo. Portugal tem oito séculos de história e não merece ser enxovalhado desta maneira. Os portugueses estão fartos desta fantochada.
Mas, atenção, uma mudança de governo, qualquer que seja o próximo, não dispensará a necessidade de serem tomadas medidas para sanear as contas públicas, nem qualquer recuperação se fará de um dia para o outro. Vão ser necessários alguns anos para reparar os estragos.
O que os portugueses devem exigir é que as medidas a tomar sejam as mais adequadas, que sejam focadas essencialmente nos gastos do estado, e que se procure minimizar a necessidade de pedir mais sacrifícios àqueles que são sempre chamados a contribuir com o produto do seu trabalho.
Até breve

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