O Farol

À RASCA~
A expressão não é do nosso particular agrado, mas, domina a actualidade dos dias que vão correndo, recheados de acontecimentos mediáticos.
As palavras proferidas pelo Senhor Presidente da República, no discurso da cerimónia da sua tomada de posse para o segundo mandato, retrataram, de forma frontal, a situação em que o país se encontra e os principais motivos que a ela conduziram.
O discurso foi indigesto para muita gente, sobretudo para os nele visados, que, não esperando tal frontalidade e crueza, ficaram “à rasca”.
As reacções foram diversas, conforme as tendências políticas de cada um, mas, como seria de esperar, mais azedas por parte do governo e dos representantes do partido que o apoia. Contudo, ninguém pôs em causa a veracidade das palavras do Presidente.
É sabido que, na elaboração da Constituição da República Portuguesa as forças partidárias tiveram a preocupação de limitar ao máximo os poderes do cargo presidencial e apropriaram-se de todo o protagonismo da política portuguesa, contudo a faculdade de se dirigir à Nação, quando e nos termos que entender por convenientes é algo que não lhe pode ser retirado e é uma via que o Presidente da República pode utilizar para alertar os cidadãos para os problemas do país. Foi exactamente o que o Prof Cavaco Silva fez, pondo a nu os podres das recentes governações.
Como seria de esperar, os instalados no poder prefeririam um discurso no estilo “ politicamente correcto”, naquilo que é uma forma moderna de hipocrisia, mas, no estado em que o país se encontra, não há mais lugar para discursos desse tipo.
Haveria muitas passagens do discurso que poderíamos salientar, mas limitamo-nos a uma das mais significativas:
“ há limites para os sacrifícios que se pedem às pessoas
Na altura em que o Presidente proferia estas palavras, já José Sócrates preparava, em segredo, mais um pacote de medidas de austeridade com as quais, esquecendo o grande alarido que fizera dias antes sobre as maravilhas da execução do Orçamento de 2011, e, sob a capa da urgência de acalmar, uma vez mais os mercados e cumprir as ordens da senhora Merkl, se preparava para castigar ainda mais os portugueses, como remédio para os erros grosseiros do seu governo, ou seja, deixando os portugueses mais “ à rasca”.
É o chamado PEC IV. Esta política do pacote, faz o governo parecer uma espécie de mercearia do antigamente, de onde tudo saía em pacotes.
Só que, os pacotes desta mercearia assemelham-se mais aos pacotes armadilhados, utilizados nos atentados terroristas. Estes estão a fazer ir pelos ares a economia portuguesa e a paciência dos portugueses.
Ao que parece existem fortes hipóteses de este último pacote ser desactivado. Isto apesar de os porta-vozes do governo, virem acenar com o habitual fantasma da crise e da instabilidade.
Se a estabilidade é isto a que vimos assistindo, parece não ser solução para os problemas do país.
É sabido que, para o primeiro-ministro, só existe estabilidade com ele no poder.
Por coincidência, e sem querer comparar o incomparável, António de Oliveira Salazar tinha a mesma noção de estabilidade.
Mas… caso venhamos a ter proximamente um acto eleitoral, pensamos que caberá, uma vez mais e na altura própria, ao Senhor Presidente da República, recordar aos eventuais novos governantes, as palavras do seu discurso de posse. Esperemos e confiemos de que o fará.
Começou por ser o grito de uma geração, mas acabou por ser o coro de uma nação.
A manifestação convocada pela chamada “ geração à rasca” acabou por ter uma adesão largamente superior à esperada pelos promotores.
Foi uma manifestação ordeira, apartidária e que reuniu, por esse país fora, manifestantes de todos os grupos etários, que quiseram demonstrar a sua repulsa pelo estado “ à rasca” em que se encontram os portugueses. Foi, acima de tudo, um acto genuinamente democrático, o direito de os cidadãos manifestarem publicamente a sua indignação face aos actos dos políticos, actos esses que os prejudicam largamente.
A Democracia não pode ser reduzida ao simples acto de, de 4 em 4 anos, depositar numa urna um boletim de voto para entregar o poder de conduzir os destinos da nação a gente de quem se desconhece a competência para tal, e que, entre dois actos eleitorais, pode, com a sua incapacidade para governar, comprometer seriamente o futuro do país. Temos o direito de, se e quando for necessário, exigir a boa condução dos destinos do país
Esperemos que, da “nação à rasca passemos à “nação em luta”, pelos seus legítimos interesses.
Até breve
A. Graça

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