O FAROL

A MOÇÃO, A SOLIDÃO, E… OUTRAS COISAS DA NAÇÃO~
Dois factos despertaram a particular atenção dos portugueses nos últimos dias:
– A moção de censura ao governo, anunciada pelo Bloco de Esquerda
– O macabro achado do corpo de uma idosa, morta há cerca de nove anos no seu apartamento na Rinchoa.
A MOÇÃO
A moção de censura anunciada pelos meninos quarentões do BE, é uma manobra descabida e perfeitamente despropositada. Tudo indica que não passa de um expediente para apresentar qualquer coisa antes de o Partido Comunista o fazer, e, para tentar atenuar o prejuízo político que foi causado ao BE pela estrondosa derrota do candidato presidencial por si apoiado.
Na verdade, esta moção parece estar condenada ao fracasso, não só pela sua inoportunidade política, como também porque o B.E. se encarregou disso, ao anunciar que será uma moção contra o PS e contra o PSD, o que a derrota desde logo, uma vez que o PSD nunca votaria a favor uma moção apresentada contra si.
Este acto do BE é mais uma prova da sua inutilidade e imaturidade política. De facto, analisando a sua actuação na A.R. não encontramos acção alguma da qual tenha resultado qualquer tipo de benefício efectivo para o cidadão comum.
O BE tem-se limitado a pedir explicações ao governo sobre tudo e mais alguma coisa, pedidos esses dos quais nunca se conhecem resultados práticos. A moção anunciada parece ser antes uma moção de desconfiança para o interior do próprio partido, uma vez que já provocou a demissão de dois dos seus destacados militantes.
A moção, uma vez derrotada, poderá servir ainda de pretexto para o primeiro-ministro proclamar, com a sua habitual demagogia, que, essa derrota, constitui um voto de confiança no seu governo e uma aposta dos restantes partidos na chamada” estabilidade governativa”.
A SOLIDÃO
O achado do corpo da idosa que se encontrava morta no interior do seu apartamento há quase nove anos, é algo que nos deverá fazer pensar seriamente na situação actual da sociedade portuguesa.
Em primeiro lugar, a forma como são tratados os idosos, sobretudo nos grandes centros urbanos, muitas vezes considerados como pesos incómodos e descartados pelos familiares, que desejam, acima de tudo, livrar-se deles. Existem igualmente casos de pessoas que saíram das suas terras de origem para viver nas cidades e, à medida que os anos vão passando, vão ficando isolados dos familiares, não tendo quem lhes valha numa situação de aflição. É a sociedade que temos, a qual deveria procurar soluções para este problema.
O caso da Dona Augusta Martinho reveste-se, contudo, de contornos estranhos.
Assim, apesar dos alertas de uma vizinha e de um familiar, as autoridades nada fizeram para averiguar o que se passava. Todos os contactados se refugiaram na sua insignificante pequenez de burocratas. Dizem que os burocratas não são inteligentes, apenas sabem ler as normas e preceitos que lhes colocam à frente, refugiando-se atrás deles para não fazerem nada.
No caso da Dona Augusta Martinho, os únicos burocratas activos foram os serviços de finanças, que, para cobrarem uma dívida de cerca de €1.500, penhoraram e venderam um apartamento, que nem sequer avaliaram localmente, por um valor 200 vezes superior ao da dívida, numa demonstração de pura agiotagem.
Deste episódio, podemos tirar duas conclusões:
– Podemos escapar a tudo, mas, aos cobradores das finanças não escapamos, nem depois de mortos,
– O caso passado com a Dona Augusta Martinho é, no fundo, a imagem do país que temos, morto há vários anos, e, apesar das preocupações manifestadas pelos vizinhos da União Europeia, ninguém parece dar-se conta disso, até porque os vermes que se alimentam do seu corpo acham que tudo vai bem
OUTRAS COISAS DA NAÇÃO
Parte da matéria que deveria preencher este parágrafo já foi apresentada no anterior.
É cada vez mais penoso falar da situação deste país, isto porque, por muito boa vontade que se tenha, se quisermos ser realistas a quantidade de aspectos negativos esmaga qual quer vestígio de facto positivo, o que é pena. O crescente número de desempregados, de famílias a pedirem auxílio para sobreviverem, de jovens que, embora tendo boas qualificações, não têm qualquer perspectiva para o presente, muito menos para o futuro. Tudo isto não pode deixar-nos indiferentes e deveria constituir motivo de preocupação para quem tem nas mãos a responsabilidade de conduzir os destinos de um país.
Terminamos com mais um episódio ridículo da política nacional.
O pequeno capataz dos Açores, que, por se chamar César, deve ter aspirações a imperador, sugeriu a criação de mais um imposto para financiar o serviço nacional de saúde.
Este pequeno César deveria estar calado, pois não tem moral nem legitimidade para fazer sugestões destas, ele que, quando todos os funcionários do estado viram os seus vencimentos cortados, não aplicou essa medida aos funcionários açorianos.
Esta gentalha parece ter apenas um objectivo na política; meter a mão no bolso do contribuinte, são piores que os carteiristas, esses só levam o que a carteira contém na altura do roubo, estes levam também o que ela virá a ter no futuro.
Já agora, uma sugestão, inteiramente grátis para o Sr. César:
Que tal prescindir de 50% do dinheiro que os contribuintes pagam para o orçamento da região autónoma? Isso sim, era de homem.
Até breve
A. Graça

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