O FAROL

FMI, GUERRA DE ÁFRICA, EMPRESAS PÚBLICAS

FRENTE DE MALFEITORES INTERNACIONAIS, não é propriamente o significado da sigla F.M.I., mas, da forma com que, entre nós, se fala dessa instituição, pode ficar-se com a noção de que se trata, na realidade, de um bando de malfeitores pronto a invadir Portugal, de tal forma que até o 1º ministro reencarnou o espírito de Brites de Almeida, mais conhecida por Padeira de Aljubarrota, proclamando aos quatro ventos e aos canais de TV que, FMI com ele, nem pensar!!!
O Fundo Monetário Internacional é uma organização que integra actualmente 186 países, na prática quase todos os membros da ONU, e à qual Portugal aderiu em 21 de Novembro de 1960.
Os objectivos do Fundo são: promover a cooperação monetária, assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, promover o emprego e o crescimento económico sustentável e reduzir a pobreza em todo o mundo. Como se sabe o Fundo tem falhado alguns destes objectivos.
Em caso de dificuldade de algum dos seus Estados membros em pagar as suas dívidas o Fundo pode socorrer esse Estado, a pedido do respectivo governo, mas, para que tal aconteça, impõe determinadas condições.
A intervenção do Fundo actua mais como medida de protecção dos credores do Estado em dificuldades, diminuindo o risco dos empréstimos concedidos ou a conceder, e, consequentemente, as taxas de juro dos mesmos.
As medidas impostas pelo Fundo, são sempre restritivas e de austeridade, conduzindo, de um modo geral, a resultados contrários aos objectivos por ele proclamados.
No caso de Portugal, essa intervenção seria um atestado da incapacidade do governo conseguir controlar eficazmente as contas do país. As medidas impostas seriam a continuidade daquelas que já foram impostas pelos sucessivos PEC do governo Sócrates.
A GUERRA DE ÁFRICA
Guerra de África, Guerra Colonial ou Guerra do Ultramar, conforme a leitura política que se queira fazer.
Foi uma guerra, como outra qualquer, que opõe partes em discordância extrema e incapazes de se entenderem civilizadamente sobre as questões que as separam.
De repente, a Guerra de África passou a tema de primeira página nos órgãos de comunicação. O pretexto são os 50 anos passados sobre os primeiros actos de subversão ocorridos em Angola, com o massacre, selvagem e indiscriminado de brancos e negros, pelos então auto-proclamados movimentos de libertação.
A partir de então, e durante 14 longos anos, Portugal foi protagonista numa guerra, que abriu três frentes, e que, de uma forma ou de outra, envolveu toda uma geração.
Como em todos os conflitos, cada uma das partes chama a si a razão e defende-a com alma e coração.
Passou-se o mesmo com esta guerra. Inicialmente o país mobilizou-se e a veia patriótica veio ao de cima, apoiando intensamente a campanha a que os portugueses eram chamados a participar. Não se imaginava então o tempo que o conflito iria durar.
14 anos, 800.000 mobilizados, 8.300 mortos e um número indeterminado de feridos e traumatizados depois, a guerra terminou, na sequência dos acontecimentos do 25 de Abril.
Terminou, para os militares portugueses, uma vez que, para os povos ditos libertados, continuou, nalguns casos de forma ainda mais violenta.
Seria bom que Portugal e os portugueses não esquecessem esta guerra, na qual o país consumiu meios materiais, e, sobretudo, humanos, demasiado elevados para um pequeno país sem recursos, nem qualquer tipo de auxílio.
Impõe-se também que os responsáveis políticos deixem de ignorar a situação daqueles que deram o melhor de si pela nação, quantas vezes em condições sub-humanas, e a quem a Nação muito deve, mas raramente o reconhece, antes pelo contrário, assume atitudes que os prejudicam.
A guerra foi justa ou injusta? quem beneficiou com ela? Só a história o poderá dizer, mas, a história demora mais de 50 anos a fazer.
EMPRESAS PÚBLICAS
Com o 25 de Abril, veio o termo da Guerra e a criação das condições que vieram a dar origem às Empresas Públicas.
O líder do PSD, afirmou, há alguns dias, que o governo deveria encerrar as Empresas Públicas que apresentam prejuízos sistematicamente.
É um princípio, teoricamente certo, na medida em que, uma empresa privada que apresente prejuízos sucessivos acabará, mais tarde ou mais cedo por falir.
Porém, o caso das Empresas Públicas tem de ser visto de outra forma.
Aqui haverá que distinguir entre as empresas que são realmente de interesse público, as que prestam um serviço à comunidade, que não poderá ser prestado nas mesmas condições por privados, e as outras Empresas Públicas, algumas das quais servem sobretudo para albergar clientelas partidárias. Além disso, muitas destas empresas apresentam prejuízos devido à fraca qualidade dos seus gestores, os quais são nomeados, como dissemos, não pela sua competência e experiência profissionais, mas pela cor partidária.
É por aí que se deve abordar a problemática das Empresas do Estado, mas, para isso é preciso coragem política e afrontar os interesses, duvidosos, instalados no sistema.
Duvidamos que, o Dr. Passos Coelho, caso venha a ser primeiro ministro, faça o que, nesta matéria, aconselhou agora ao actual governo
Até breve.
A. Graça

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