A Marca de Oleiros – Parte I

Turismo Ponto por Ponto

A Marca de Oleiros – Parte 1

Setembro, mês por eleição de rescaldo da “época alta” nacional, importa olhar para os meses passados, e reflectir sobre o que foi feito, seja para receber elogios, seja para reflectir sobre o que correu menos bem.

Pela primeiro vez estive em Oleiros nos meses quentes, na expectativa das anunciadas enchentes, da confusão, das “massas” de gente da terra, que há muito partiu, e que volta na época estival para matar saudades. Certo que o concelho de Oleiros se encheu, assim como todos os outros de uma multiculturalidade, que era fácil de perceber quando se caminhava na rua, mas mesmo assim ficou aquém das minhas expectativas. Poderá ter sido por causa da crise económica global, ou por outro qualquer fenómeno macroeconómico, mas parece que este ano a diáspora portuguesa não rumou a Portugal com o fulgor de outrora.

Mas nem tudo é mau num mercado que vê na sazonalidade uma compensação para os meses de inverno. O 3º trimestre de 2010 está a revelar-se assim um período atípico, com menos visitas de quem tradicionalmente nos visitava, e com mais entradas de quem não se sabia que vinha. Vimos assim o concelho lotado de turistas nacionais, provenientes de todos os pontos do país, não sabendo ao certo ser o resultado de um crescente desejo de “regressar” às raízes, se uma resposta em massa ao apelo do Sr. Presidente da República, em preferir a praia do Açude Pinto em detrimento de Punta Cana. De qualquer maneira, e seja qual for a razão, o turismo em Oleiros teve um verão que será uma referência para anos futuros.

Certo é que toda esta dinâmica não será certamente fruto do acaso. Os eventos em Oleiros já têm alguma representatividade, sendo a Feira do Pinhal um dos pontos altos do ano. Este ano não foi excepção, e mais uma vez a Feira do Pinhal, em Edição de 10º aniversário, capitalizou muitos visitante, e ecoou para a esfera nacional o que de melhor se faz em Oleiros e no Pinhal.

Este artigo foi começado a ser escrito no dia do espectáculo de sexta-feira, onde mais uma vez a Pirotecnia Oleirense, na sua já habitual forma vanguardista, trouxe um exclusivo à Feira do Pinhal, que foi para mim um primeiro, e uma surpresa. Deparei-me com um espectáculo magnifico, com uma dimensão nacional, e que não destoaria em qualquer grande palco nacional e mundial. Fiquei perplexo com o acontecimento, e pensei que esta seria uma excelente forma de promover o concelho, com um espectáculo exclusivo, a nível mundial, e que faria com que Oleiros, durante Agosto, atraísse um leque mais vasto de visitantes, e rivaliza-se com alguns destinos implementados, e de maior dimensão.

Temos aqui uma franja de mercado por explorar, associando os eventos do concelho, aos espectáculos pirotécnico, e diversificando a oferta num área em que se sabe que há procura e pouca oferta. O turismo de eventos tem como característica principal o esbatimento da sazonalidade, a atracção de novos segmentos, tradicionalmente mais gastadores, e a  transformação do visitante em “embaixador” do destino, promovendo o local, e permitindo um melhoramento da imagem da sede do evento, perpetuando essa imagem para além da data de realização.  

Este artigo é o primeiro que escrevo sobre esta temática, mas certamente não será o último. Fica a ideia… que Oleiros pode ainda não ser uma Marca, mas sem dúvida deixa a sua marca.

francisco_hugo@hotmail.com

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